Tipos de Câncer

Tumores Adrenais ou Suprarenais

O que são tumores adrenais ou suprarenais

As glândulas adrenais ou suprarrenais estão localizadas junto à coluna vertebral e aos grandes vasos sanguíneos, próximas à parte superior dos rins, e fazem parte do sistema endócrino. Divididas entre medula e córtex, são responsáveis por produzir substâncias que atuam no controle do sistema circulatório (catecolaminas) e hormônios que atuam tanto em processos do metabolismo (o cortisol, por exemplo) quanto na função sexual (androgênios).

Quando as células da medula ou do córtex proliferam-se descontroladamente, ocorrem os tumores adrenais. Esse crescimento se dá por mutações genéticas não corrigidas pelo organismo.

Por serem muito raros, ainda não foram definidos quais podem ser os fatores de risco para tumores adrenais. A presença de algumas síndromes genéticas parece predispor o aparecimento dos tumores, tanto malignos quanto benignos:

  • Neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2);
  • ​Neurofibromatose tipo 1 (Doença de Von Recklinghausen);
  • ​Síndrome de Beckwith-Wiedemann;
  • ​Síndrome de Li-Fraumeni;
  • ​Síndrome do paraganglioma (feocromocitoma extra-adrenal); e
  • ​Síndrome de Von Hippel-Lindau.

Os tumores adrenais nem sempre são malignos: a ocorrência de tumores benignos é mais frequente nestes casos. A seguir abordaremos os dois tipos de tumores adrenais malignos.

Subtipos de tumores adrenais

Quando malignos, os tumores adrenais podem ser de dois tipos: carcinoma de adrenal (ou adrenocortical) e feocromocitoma.

O carcinoma de adrenal ou adrenocortical é um tumor que se origina no córtex da própria adrenal. Na maioria dos casos é não funcionante, mas pode apresentar hiperfuncionamento em uma pequena porção das ocorrências.

Trata-se de um tumor pouco frequente, com incidência anual de 1 a 2 casos a cada 1 milhão de pessoas. Acomete homens e mulheres igualmente e tem três picos de ocorrência:

  • Crianças de 1 e 2 anos;
  • Crianças entre 7 e 16 anos;
  • Adultos dos 50 anos em diante (mais comum).

Na maioria dos casos (de 50% a 70%), a doença afeta a adrenal esquerda, e em 5% a 7% das ocorrências é bilateral.

O feocromocitoma é um tumor que se origina na medula da glândula adrenal e é extremamente raro. Seus locais mais frequentes de disseminação são gânglios linfáticos, pulmão, fígado e ossos.

Existe um subtipo de feocromocitoma, o paraganglioma, cuja característica diferencial é ser ectópico ou extra-adrenal, surgindo a partir de gânglios simpáticos para-aórticos.

Ainda mais raro que o carcinoma de adrenal, o feocromocitoma tem incidência baixíssima, sendo sabido que ocorre em 0,05% a 0,1% dos pacientes hipertensos. Seu pico de incidência é dos 30 aos 40 anos de idade, mas pode ocorrer em pessoas mais jovens quando associado a síndromes hereditárias – nestes casos, tende a ser mais agressivo e ter maior probabilidade de metástase. Geralmente é bilateral.

Sintomas e sinais de tumores adrenais

Os tumores adrenais benignos são geralmente assintomáticos, assim como os malignos em fases iniciais. Já os malignos em fases mais avançadas costumam ter sintomas semelhantes aos de outros tipos de câncer, como:

  • Fadiga;
  • Perda de peso sem motivo aparente;
  • Surgimento de massa abdominal;
  • Sangramento na urina;
  • Febre;
  • Anemia;
  • Dores abdominais.

Sintomas diretamente relacionados ao carcinoma de adrenal são alterações no ciclo menstrual, surgimento de acnes e fragilidade cutânea, enquanto os sinais típicos de feocromocitoma são aqueles ligados à liberação de catecolaminas e metabólitos da adrenalina e noradrenalina: hipertensão, arritmia e/ou hiperglicemia.

Em crianças, os sintomas mais comuns são causados por hormônios masculinos que o tumor pode produzir: crescimento excessivo de pelos faciais e corporais, aumento do pênis e das mamas em meninos e do clitóris em meninas.

Diagnóstico de tumores adrenais

Ao notar os sintomas e procurar a ajuda de um médico, o paciente precisará fazer alguns exames para confirmar os tumores adrenais.

Normalmente, são pedidos exames de sangue e de urina, para analisar os níveis de hormônios, além de exames de imagem do abdômen. A ultrassonografia pode identificar alterações no tamanho das adrenais, e exames mais específicos, como a tomografia, a ressonância magnética e o PET Scan, podem complementar o estudo das lesões.

O carcinoma de adrenal costuma ser diagnosticado quando a doença alcança um volume maior que 6 cm. A ressonância magnética é o método mais preciso para avaliá-lo.

Já para o feocromocitoma a avaliação tende a ser por meio das dosagens laboratoriais (sangue e urina) de possíveis metabólitos de adrenalina, noradrenalina e catecolamina (embora cerca de 15% a 20% dos pacientes apresentem níveis normais de catecolamina). Níveis elevados são, em geral, diagnósticos da doença.

Normalmente, os tumores adrenais são diagnosticados precocemente quando se realiza tomografia computadorizada para outro problema de saúde – ou seja, a detecção é acidental. O diagnóstico específico costuma ser em estágio mais avançado, com o surgimento dos sintomas, quando os tumores começam a pressionar outros órgãos.

Tratamento de tumores adrenais

O tratamento de tumores adrenais depende de sua localização, de seu tamanho e das condições clínicas do paciente. Inicialmente, é comum ser realizada a cirurgia de remoção de uma ou de ambas glândulas adrenais – o procedimento se chama adrenalectomia. É um procedimento que pode ser minimamente invasivo, por cirurgia robótica e videolaparoscopia, ou via aberta.

Radioterapia, quimioterapia e uso de outros medicamentos podem complementar o tratamento de tumores adrenais depois da cirurgia. Quando não é possível realizar a cirurgia, pode-se utilizar quimioterapia sistêmica.

Prevenção de tumores adrenais

Apesar de contar com uma ampla gama de exames para diagnóstico, não existe uma rotina de prevenção para os tumores adrenais. Diante de sintomas, um médico urologista ou oncologista deve ser consultado.