Tipos de Câncer

Testículos

O que é o câncer de testículo

O câncer de testículo é raro e responde por 5% do total de casos de câncer entre os homens. Diferentemente do que ocorre com outros tumores, como os de próstata, o câncer de testículo é mais comum na população jovem, entre 15 e 50 anos de idade.

Também é conhecido como tumor de células germinativas (TCGs) – neoplasias benignas ou malignas derivadas das células germinativas, que dão origem aos espermatozoides (nos homens) e óvulos (nas mulheres).

Se detectado no início, o câncer de testículo tem grandes chances de cura.

Subtipos de câncer de testículo

Os testículos são compostos por muitos tipos de células, e cada um deles pode desenvolver um ou mais tipos de câncer. É importante saber o tipo de célula em que o câncer começou e que tipo de tumor foi desenvolvido, porque isso determina a forma de tratamento e ajuda a prever o prognóstico.

  • Tumores de células germinativas – mais de 90% dos cânceres de testículo começam em células conhecidas como células germinativas, as produtoras de esperma. Os principais tipos de tumores de células germinativas (TCG) nos testículos são seminomas e não-seminomas. Muitos cânceres testiculares contêm células seminoma e não-seminoma. Esses tumores mistos são tratados como não-seminomas porque crescem e se espalham como não-seminomas;
  • Tumores seminomatosos – seminomas tendem a crescer e se espalhar mais lentamente do que os não-seminomas. Os dois subtipos principais desses tumores são os seminomas clássicos (ou típicos) e os seminomas espermatocíticos. Mais de 95% dos seminomas são clássicos. Geralmente ocorrem em homens entre 25 e 45 anos. O seminoma espermatocítico é raro e tende a ocorrer em homens mais velhos (na média com 65 anos);
  • Tumores não-seminomatosos – este tipo de câncer de testículo ocorre em homens entre o final da adolescência e o início dos 30 anos. Há quatro tipos principais de tumores não-seminoma: carcinoma embrionário, carcinoma do saco vitelino, coriocarcinoma e teratoma. A maioria dos tumores é uma mistura de tipos diferentes, mas isso não muda o tratamento da maioria dos cânceres não-seminoma. Correspondem a 60% de todos os tumores de testículo.
    Cada subtipo de tumor não-seminomatoso pode expressar proteínas que entram na circulação sanguínea e que são úteis não só para seu diagnóstico, mas também para o prognóstico e acompanhamento. Essas proteínas são chamadas de marcadores tumorais;
  • Carcinoma in situ – os cânceres testiculares podem começar como uma forma não invasiva da doença chamada carcinoma in situ. Nem sempre este tipo de câncer evolui para um tipo invasivo. É difícil de diagnosticar, pois não causa sintomas e, muitas vezes, não forma uma massa que possa ser sentida;
  • Tumores estromais – desenvolvem-se nos tecidos que produzem hormônios e nos tecidos de suporte dos testículos. Eles constituem menos de 5% dos tumores testiculares, mas até 20% dos tumores testiculares da infância. Há dois principais subtipos: os tumores de células de Leydig, que normalmente são benignos e se desenvolvem nas células que produzem os hormônios sexuais masculinos, e os tumores de células de Sertoli, que se desenvolvem a partir das células que suportam e nutrem às células germinativas produtoras de espermatozoides. São geralmente benignos, mas se se disseminam, tendem a não responder à quimioterapia e à radioterapia; e
  • Câncer de testículo secundário – começa em outro órgão e se dissemina para o testículo. É tratado com foco no órgão de origem. O linfoma é o câncer de testículo secundário mais comum e ocorre com mais frequência do que os tumores de testículo primários em homens com mais de 50 anos. O prognóstico depende do tipo e estágio do linfoma.

Sintomas e sinais do câncer de testículo

O sinal mais comum do câncer de testículo é o aparecimento de um nódulo duro que às vezes provoca dor, mas na maioria dos casos, não. Os pacientes podem sentir também o testículo aumentado e um peso ou dor abdominal.

Outros sintomas que devem despertar a atenção são:

  • Aumento ou diminuição no tamanho dos testículos;
  • Endurecimentos;
  • Dor imprecisa na parte baixa do abdômen;
  • Sangue na urina;
  • Sensibilidade dos mamilos (raro); e
  • Puberdade precoce, com crescimento de pelos faciais e corporais antes do esperado.

Diagnóstico do câncer de testículo

Uma das dificuldades na detecção do tumor em jovens ocorre porque pode ser confundido, ou até mesmo mascarado, por orquiepididimites – inflamações dos testículos e dos epidídimos, canais localizados atrás dos testículos e que coletam e carregam o esperma. As orquiepididimites são transmitidas sexualmente.

A primeira fase do diagnóstico ocorre pelo exame clinico, verificando se há nódulos palpáveis ou alterações que sugiram câncer. Um dos exames para confirmação diagnóstica é a ultrassonografia da bolsa escrotal, que identifica lesões homogêneas (que sugerem tumores seminomatosos) ou heterogêneas (indicativa de tumores não-seminomatosos).

Também são realizados exames laboratoriais para a identificação dos marcadores tumorais (alfafetoproteína, beta-HCG e LDH).

Confirmado o diagnóstico, é preciso definir a conduta clínica – momento em que a tomografia computadorizada do tórax, abdômen e pelve é fundamental. Ela permite checar o estadiamento da doença e a definição de conduta terapêutica pós-orquiectomia – retirada do testículo para controle do câncer.

Tratamento do câncer de testículo

O tratamento dos tumores de testículo se baseia nos estadiamento, tipo histológico e classificação de risco. Cada estágio da doença exige uma abordagem diferente. As principais alternativas terapêuticas disponíveis são:

  • Quimioterapia – existem diversos esquemas quimioterápicos descritos para o tratamento do câncer de testículo. Por ser um tratamento sistêmico, feito por via venosa, tem mais efeitos colaterais porque afeta também as células saudáveis;
  • Radioterapia – o tratamento radioterápico fica reservado aos tumores seminomatosos, por serem mais sensíveis a esta terapia. A aplicação é indicada em tumores localizados (Estadio I) e tumores retroperioneais de baixo volume (Estadios II a e b);
  • Orquiectomia parcial – procedimento cirúrgico em que é removido um ou os dois testículos a partir de um pequeno corte no escroto. Deve ser indicada em tumores menores que 2 cm na ausência de testículo contralateral ou déficit funcional acentuado devido a elevado risco de recorrência local; e
  • Orquiectomia radical – este procedimento cirúrgico, mesmo isoladamente, cura a maioria dos pacientes. Nesta técnica cirúrgica, o corte é feito na região abdominal, e não no escroto. O implante de prótese testicular pode ser feito na mesma cirurgia.

A escolha das terapias a serem utilizadas de forma isolada ou combinadas depende do estágio do câncer, conforme descrito abaixo.

Estadio I (exceto EI S), seminoma e não-seminoma – os pacientes apresentam doença local ou restrita ao testículo e cordão espermático. O risco de metástase é de cerca de 20% – ou seja, a cura chega a 80% dos casos apenas com a realização da orquiectomia radical.

Estadio II A ou B, não-seminoma – em pacientes com tumores não-seminomatosos, doença retroperitoneal limitada (< 5cm) e marcadores tumorais normais existem duas opções de tratamento, com bom prognóstico. A estratégia mais utilizada é a quimioterapia inicial com posterior abordagem cirúrgica. Esta combinação está associada a elevados índices de cura e, por ser um método de tratamento sistêmico, a incidência de metástases a distância também é reduzida.

Estadio II A ou B, seminoma – neste caso, uma alternativa à quimioterapia é a radioterapia em doses mais elevadas do que as ministradas para o estadio I, também com bom prognóstico.

Estadio II C, III e IS, seminoma e não-seminoma – a taxa de cura de pacientes com tumor testicular e doença metastática de grande volume pode chegar a 90%, dependendo da classificação de risco. O motivo do sucesso da terapia é o desenvolvimento dos esquemas quimioterápicos baseados em cisplatina. O número de ciclos irá depender da classificação de risco. Podem ser realizados três ciclos, em pacientes de bom prognóstico, ou quatro em pacientes com prognósticos intermediário e ruim.

Prevenção do câncer de testículo

Não há uma forma de prevenir o câncer de testículo. O mais importante é a realização do autoexame para a detecção precoce da neoplasia, que eleva muito as chances de cura. Uma das recomendações é que o autoexame seja feito uma vez por mês, após um banho quente. A temperatura da água relaxa o escroto e facilita a verificação de qualquer mudança de tamanho, sensibilidade ou anormalidade.