Tipos de Câncer

Pênis

O que é o câncer de pênis

O câncer de pênis é um tumor raro que, embora possa atingir homens jovens, tem maior incidência registrada a partir dos 50 anos de idade. No Brasil, esse tipo de tumor representa 2% de todos os tipos de câncer que acometem o homem.

Segundo pesquisa realizada pela SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), embora haja um grande número de tratamentos para câncer de pênis concentrado no estado de São Paulo, a maioria dos pacientes vem das regiões Norte e Nordeste do país.

De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), mais da metade dos pacientes com câncer de pênis demoram mais de um ano para procurar assistência médica após o aparecimento das lesões iniciais.

Subtipos de câncer de pênis

Em estágios iniciais, as células malignas ficam localizadas nas camadas superficiais do órgão. Esse tipo de tumor, conhecido como carcinoma de células escamosas, representa 95% dos casos e tem altas chances de cura. A maioria destes tumores é de crescimento lento e encontrada no prepúcio ou sobre a glande. Se forem diagnosticados em estágio inicial, a chance de cura é muito alta. Com o tempo, pode se espalhar para a virilha e o abdômen.

Os demais tipos de câncer de pênis são:

  • Carcinoma verrucoso – forma rara de tumor de células escamosas. O carcinoma verrucoso, também conhecido como tumor de Buschke-Lowenstein, se parece com uma verruga genital benigna. Pode se disseminar para os tecidos adjacentes, mas raramente se espalha para outros órgãos;
  • Carcinoma in situ – considerado o estágio inicial do câncer de pênis de células escamosas. Neste estágio, as células cancerígenas são encontradas apenas na superfície da pele. O carcinoma in situ da glande é às vezes denominado eritroplasia de Queyrat. Quando diagnosticado no corpo do pênis ou outras partes dos órgãos genitais é denominado doença de Bowen;
  • Melanoma –  tipo de câncer de pele que começa nos melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele. Esses tumores tendem a crescer e se disseminar rapidamente e são mais agressivos do que outros tipos de câncer de pele. Apenas uma pequena porcentagem dos cânceres de pênis são melanomas;
  • Carcinoma basocelular –  outro tipo de câncer de pele que pode se desenvolver no pênis, representando uma pequena porcentagem dos casos. Este tipo de tumor é de crescimento lento e raramente se dissemina para outras partes do corpo;
  • Adenocarcinoma (Doença de Paget do pênis) –  tipo muito raro de câncer de pênis que se desenvolve a partir das glândulas sudoríparas da pele do pênis, podendo ser difícil distingui-los do carcinoma in situ; e
  • Sarcoma – uma pequena porcentagem dos tumores de pênis se desenvolve a partir dos vasos sanguíneos, músculos ou outras células do tecido conjuntivo do pênis e são denominados sarcomas.

Sintomas e sinais do câncer de pênis

A manifestação clínica mais comum do câncer de pênis é uma ferida ou úlcera persistente, localizada na glande, prepúcio ou corpo do pênis. A presença de um desses sinais, associada a uma secreção branca (esmegma), pode ser um indicativo da doença. Outro é presença de gânglios inguinais (ínguas na virilha).

Mais detalhadamente, os sintomas de câncer de pênis são:

  • Alteração na pele – um dos sintomas mais comuns do câncer de pênis. Além das possíveis mudanças na coloração e na espessura, pode surgir algum tecido de cor avermelhada e aveludada ou lesões de cor marrom;
  • Secreção – em alguns casos, as feridas podem apresentar secreções constantes de cor branca e de forte odor;
  • Ínguas – nódulos ou inchaços na área da virilha também podem ocorrer em pacientes com câncer de pênis; e
  • Dificuldade na cicatrização – a presença de uma ferida avermelhada que não cicatriza é outro indicativo. Este é um tipo de lesão pré-cancerígena chamada de eritroplasia de Queyrat.

Atenção: Nem sempre os sintomas acima indicam um tumor maligno no pênis. Existem verrugas ou manchas na região que são alterações benignas, normalmente localizadas na pele que recobre a cabeça ou na própria cabeça do pênis.

Diagnóstico do câncer de pênis

As chances de cura da neoplasia são muito maiores quando diagnosticada em estágio inicial. Todas as alterações no pênis, como lesões ou manchas, devem ser avaliadas por um médico. Mesmo após o exame clínico, o diagnóstico só é confirmado após outros exames e biópsias.

A biópsia é feita com a retirada de um fragmento da região afetada que passa por análise laboratorial. Há alguns tipos de biópsia são:

  • Biópsia incisional – indicada para lesões maiores que se aprofundaram na pele. O local é anestesiado e o médico retira apenas um pedaço do tecido;
  • Biópsia excisional – para lesões de até 1 cm, com anestesia geral e retirada de toda a lesão; e
  • Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) – é utilizada uma agulha acoplada a uma seringa para aspirar uma amostra do tumor e encaminhar material para análise.

Os exames de imagem também são importantes no processo de avaliação do tumor, ajudando a determinar a extensão da doença. São eles:

  • Ressonância magnética – ondas eletromagnéticas são usadas para a formação de imagens e permitem determinar o tamanho, a localização do câncer e eventual presença de metástases;
  • Tomografia computadorizada – alguns exames de tomografia são realizados em duas etapas: sem e com contraste. A administração de contraste na veia deve ser realizada quando se procuram detalhes, tornando o diagnóstico mais preciso; e
  • Ultrassom – determina a profundidade do tumor no pênis e também identifica eventual comprometimento dos gânglios linfáticos da virilha.

Tratamento do câncer de pênis

A escolha do tratamento é individualizada e depende de fatores como extensão, local do tumor e comprometimento dos gânglios inguinais (ínguas). Cirurgia, radioterapia e quimioterapia são opções de combate à doença com uso individual ou combinado. O estágio em que a doença é descoberta também influencia na decisão.

A indicação cirúrgica é a mais comum e há vários tipos de cirurgia que podem ser usadas no combate ao câncer de pênis, dependendo da localização, estágio e tipo de neoplasia:

  • Circuncisão – técnica utilizada quando o tumor está localizado no prepúcio. São retirados o prepúcio e a pele ao redor. Pode ser indicada antes do tratamento radioterápico;
  • Excisão simples – o procedimento, semelhante a uma biópsia, consiste na retirada do tumor junto com uma margem de tecido normal ao redor. O objetivo é evitar que alguma célula cancerígena permaneça no local;
  • Cirurgia de Mohs – neste tipo de procedimento é retirada a camada de pele que o tumor possa ter invadido e analisada. Confirmando a doença, nova camada é retirada e examinada. O processo de retirada das camadas é repetido até que as amostras de pele estejam livres de células cancerígenas;
  • Ressecção a laser – um feixe de luz vaporiza as células cancerígenas, sendo útil nos casos mais superficiais de câncer, como o carcinoma de células escamosas e o câncer de células basais;
  • Criocirurgia –  é o congelamento das células cancerígenas com nitrogênio líquido. É eficaz no tratamento do câncer de pênis verrucoso e do carcinoma in situ da glande;
  • Penectomina –  retirada parcial ou total do pênis. É a forma mais eficiente de tratar um câncer que tenha se desenvolvido dentro do órgão; e
  • Linfadenectomia – é a cirurgia dos gânglios linfáticos e ocorre quando o tumor se aprofunda muito. O procedimento evita a disseminação da doença.

Há a possibilidade de tratamento tópico. O Imiquimod é um medicamento em creme que estimula o sistema imunológico do organismo e deve ser aplicado sobre a pele. Ocasionalmente ele é utilizado no tratamento do carcinoma in situ do pênis.

E também pode ser feito uso de quimioterapia. Por ser um tratamento sistêmico, não atinge somente as células cancerígenas, mas também as células saudáveis do organismo. Existem dois tipos de quimioterapia para o tratamento do câncer de pênis:

  • Quimioterapia tópica – o medicamento, em forma de creme, é aplicado diretamente sobre a pele. Como atua nas células cancerígenas localizadas na superfície da derme, é mais utilizado em condições pré-cancerosas ou para o carcinoma em estágio inicial; e
  • Quimioterapia sistêmica – administrada por via oral ou venosa, é indicada para tumores que se alastraram para os linfonodos ou outros órgãos. Associada à cirurgia, a quimioterapia sistêmica é utilizada antes do procedimento para reduzir o tamanho dos tumores.

Prevenção do câncer de pênis

A higiene correta do pênis é a melhor maneira de prevenir o câncer no órgão. A limpeza diária deve ser feita com água e sabão, principalmente após as relações sexuais e a masturbação. Outras práticas também ajudam na prevenção deste tipo de tumor:

  • Cirurgia de fimose – operação simples, rápida e que não necessita de internação. Também chamada de circuncisão, a cirurgia de fimose é normalmente realizada na infância. Como o mais importante na prevenção são os hábitos de higiene, homens circuncidados levam alguma vantagem na limpeza do órgão;
  • Preservativo – o uso de preservativo diminui o risco de contágio de doenças sexualmente transmissíveis, como o vírus HPV, e a incidência do câncer de pênis;
  • Autoexame – é importante que os homens identifiquem lesões em seu início ou qualquer alteração na cor da pele e procurem imediatamente um médico.