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O controle do tabagismo e a prevenção do câncer

O tabagismo é a maior causa de morte evitável do mundo e reduz a expectativa de vida em 10 a 12 anos. Trata-se de uma doença crônica classificada no CID-10 entre os transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa F17. A substância psicoativa que causa a dependência do tabaco é a nicotina. 

No Brasil, 428 pessoas morrem por dia por causa da dependência à nicotina, o que significa que mais de 156 mil mortes poderiam ser evitadas por ano caso não houvesse tabagismo. Cerca de 50 mil desses óbitos são por câncer, enquanto o restante é relacionado a doenças cardíacas, doença pulmonar obstrutiva crônica, pneumonia e AVC (acidente vascular cerebral).

O desenvolvimento dos seguintes tipos de câncer tem relação com o tabagismo:

  • Leucemia mieloide aguda;
  • Câncer de bexiga;
  • Câncer de pâncreas;
  • Câncer de fígado;
  • Câncer de colo de útero;
  • Câncer de esôfago;
  • Câncer de rim e ureter;
  • Câncer de laringe (cordas vocais);
  • Câncer na cavidade oral (boca);
  • Câncer de faringe (pescoço);
  • Câncer de estômago;
  • Câncer colorretal;
  • Câncer de traqueia e brônquios; e
  • Câncer de pulmão.

Além disso, fumar causa e/ou agrava dezenas de outras doenças, com destaque para DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica –  uma mistura de bronquite com enfisema). acidente vascular encefálico, angina/infarto, insuficiência vascular periférica e disfunção erétil. Também reduz a capacidade de cicatrização de feridas e aumenta o risco de complicações pós-operatórias, assim como o de pneumonia e tuberculose.

A nicotina pode ser consumida com combustão e produção de fumaça (cigarros, charuto, narguilé) ou sem combustão e produção de fumaça (rapé, cigarros eletrônicos sem tabaco ou com tabaco modificado para ser aquecido). 

Em qualquer uma de suas formas, o tabaco causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão: em cerca de 85% dos casos diagnosticados, a doença está associada ao consumo dessa substância.

 

Como o controle do tabagismo atua na prevenção do câncer

O uso repetido do tabaco leva à neuroadaptação do cérebro, e em pouco tempo o fumante se torna um dependente da nicotina. Os fumantes são considerados dependentes da nicotina quando têm nos últimos 12 meses pelo menos três desses sintomas:

  • Forte desejo (fissura) ou compulsão para consumir;
  • Dificuldade para controlar o consumo;
  • Síndrome de abstinência quando o uso é interrompido ou reduzido;
  • Necessidade de doses crescentes, evidenciando tolerância;
  • Persistência do uso, apesar dos efeitos nocivos à saúde; e
  • Abandono progressivo de outros prazeres ou interesses em favor do uso.

A dependência à nicotina tem três componentes básicos:

  • Dependência física – responsável por sinais e sintomas da síndrome de abstinência;
  • Dependência psicológica – responsável pela sensação de ter no cigarro um apoio ou um mecanismo de adaptação para lidar com sentimentos de solidão, frustração, com as pressões sociais etc.; e
  • Condicionamentos (hábitos) – representados por associações habituais com o ato de fumar, como tomar café, trabalhar, dirigir, consumir bebidas alcoólicas entre outros.

Após uma tragada de cigarro, a nicotina chega ao cérebro em menos de 20 segundos e libera diversos neurotransmissores, com destaque para a dopamina e a serotonina, que dão prazer e bem-estar.

Um dos motivos que fazem o tabagista continuar fumando é evitar os sintomas de abstinência. Esses sintomas surgem em menos de uma hora após o último cigarro, atingem o pico em dois a três dias e reduzem ou desaparecem depois de três a quatro semanas. As manifestações mais comuns da abstinência são ansiedade, irritação, tontura, dor de cabeça, insônia, mau humor, tristeza/depressão, desânimo, dificuldade de concentração e redução da memória, aumento do apetite e vontade intensa de fumar (fissura). Alguns fumantes também se queixam de suores excessivos, distúrbios intestinais e parestesias (formigamentos).

Cessar o tabagismo aumenta a autoestima e reduz tanto os riscos de dezenas de doenças quanto os gastos com a compra de cigarros. Além disso, diminui o risco de complicações pós-operatórias e de crises, progressão e internações devido a doenças crônicas como a DPOC e a insuficiência cardíaca. 

Os benefícios da cessação podem ser divididos em:

  • Curto prazo – redução da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, normalização dos níveis de monóxido de carbono, diminuição do risco de ataque cardíaco, melhora da capacidade cardiorrespiratória, do paladar, do olfato e da tosse e pigarro;
  • Médio prazo – cessação dos sintomas de abstinência, melhora da aparência da pele, redução dos riscos de infecções e aumento da disposição geral e da concentração; e
  • Longo prazo – redução do risco de câncer, acidente vascular encefálico (derrame cerebral), DPOC e doenças cardiovasculares. O risco de doença coronariana e de câncer de pulmão após 15 a 20 anos sem fumar é semelhante ao de não fumantes. 

 

Dicas para o controle do tabagismo na prevenção do câncer

Parar de fumar não é um ato isolado na vida. A sensação de perda é muito grande, e o fumante deve encarar a cessação como uma oportunidade de fazer um balanço e modificar seus hábitos e estilo de vida. Para vencer a dependência psíquica, a dependência física e os condicionamentos (hábitos) é preciso ter muita força de vontade e contar com o apoio de profissionais de saúde, amigos e familiares.

O fumante pode procurar serviços como o PICTO – Programa Intensivo de Cessação do Tabagismo do Grupo Oncoclínicas e o PNCT – Programa Nacional de Cessação do Tabagismo (com apoio e medicação gratuita, coordenado pelo Ministério de Saúde/INCA e realizado em postos das Secretarias Municipais de Saúde) para obter auxílio contra o tabagismo.

O tratamento do tabagismo é baseado:

  • Na vontade e determinação do fumante de tentar cessar o tabagismo;
  • Em consulta inicial e apoio comportamental em grupo ou individual para:

o   Definir data e o método da cessação (abrupto, gradual ou adiamento?);

o   Definir a medicação a ser usada;

o   Orientações comportamentais de como evitar gatilhos e lidar com a fissura (dura 5 minutos) e outras situações difíceis; e

o   Ensinar técnicas de relaxamento;

  • No uso de medicamentos de primeira linha isolados ou combinados e geralmente por três meses:

o   Reposição de nicotina – adesivos/emplastros e/ou gomas e pastilhas;

o   Antidepressivo; e

o   Remédios que atuem nos receptores de nicotina.

GRUPO ONCOCLíNICAS. SUA ViDA, NOSSA VIDA.

Responsável técnico: Dr. Bruno Lemos Ferrari | CRM-MG 26609