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Jornal O Globo: Câncer de mama: por que o Outubro Rosa não pode terminar

Um artigo assinado pelo Dr. Bruno Ferrari , oncologista, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Oncoclínicas trata da questão da importância das campanhas para a retomada dos exames diagnósticos para o câncer de mama e outros tipos de tumores.

Confira o artigo na íntegra abaixo. O link original pode ser acessado clicando aqui

Por Bruno Ferrari, oncologista clínico, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas, que tem parceria exclusiva no Brasil com o Dana Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School

Câncer de mama: por que o Outubro Rosa não pode terminar

As campanhas pelo diagnóstico precoce da doença nunca foram tão imprescindíveis diante da queda vertiginosa do número de mamografias durante a pandemia da Covid-19. Este espírito mobilizador que salva vidas deve se expandir para todos os tipos de câncer, todos meses 

A pandemia de Covid-19 trouxe abalos consideráveis para a vida de todos. Nesses tempos difíceis e de insegurança, o combate ao câncer foi sensivelmente impactado. As campanhas do Outubro Rosa, no mês que há mais de 20 anos dá voz ao movimento mundial de conscientização sobre a a prevenção no câncer de mama, coincidem com um momento de grande preocupação. A queda vertiginosa do número de mamografias e exames de rastreamento de uma das doenças que mais mata mulheres no mundo indica que teremos provavelmente um cenário de aumento de casos avançados. Em 2020, o Outubro Rosa não deve e não pode terminar. As campanhas para a retomada dos exames diagnósticos para este e outros tipos de câncer nunca foram tão imprescindíveis

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que houve uma redução de 84% de mamografias realizadas no país este ano em relação ao ano passado, segundo estimativa da Fundação do Câncer baseada em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). O câncer de mama é o segundo mais comum entre mulheres no Brasil. Eram esperados até o fim deste ano quase 67 mil novos diagnósticos, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Cerca de 70 mil diagnósticos de câncer deixaram de ser feitos entre março e junho de 2020, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que aponta ainda a queda de 75% das cirurgias relacionadas a tumores de mama em grandes centros hospitalares. O quadro pós-pandemia indica um represamento de casos que serão detectados em fase avançada.

A luta incessante da comunidade médica e entidades de apoio aos pacientes pelo diagnóstico precoce tem uma razão de ser. É uma prática que salva vidas. As possibilidades de cura são em torno de 90% se a doença for identificada no começo. E a mamografia é uma das formas mais eficazes para detectar a doença na fase inicial. As campanhas do Outubro Rosa — a exemplo de outras campanhas pela conscientização de diversas formas de câncer, em meses subsequentes — dão uma força a mais nos movimentos contínuos para aumentar a taxa de cobertura da mamografia de rastreamento populacional, assim como todos os sinais de alerta das mulheres para alterações na mama. Esse olhar de maior atenção pode significar um número maior de pacientes curadas, o que é valioso.

A mamografia após os 40 anos deve ser realizada anualmente. No Brasil existe uma lei que garante o direito à mamografia às mulheres. Temos que fazer esse direito valer. O exame consegue diagnosticar lesões pequenas, lesões não palpáveis e, muitas vezes, lesões subcentimétricas. O diagnóstico precoce dessas lesões nos permite aplicar tratamentos menos mutilantes, menos tóxicos e muito mais efetivos.

A decisão de adiar o exame só deve ser tomada por recomendação médica. A pandemia gerou medo e atrasos nas rotinas de checkups e exames diagnósticos. Não apenas a população deixou de fazer exames. Na primeira fase da pandemia, os serviços de saúde precisaram se reorganizar para reforçar os fluxos de segurança na fase epidemiológica mais crítica. Alguns serviços foram interrompidos por medida de segurança, tanto na rede pública quanto na privada. Isso acarretou uma espera maior para um alto contingente de mulheres, especialmente as que só têm acesso aos serviços públicos. O Sistema Único de Saúde (SUS) garantiu que a saúde não entrasse em colapso no período de maior pico da pandemia. Mas as filas para realização dos exames diagnósticos — que já têm um tempo de espera longa — se tornaram maiores. Lamentavelmente, já tivemos muitos diagnósticos precoces perdidos.

O câncer de mama é uma realidade. A alta incidência em nossa população é real. Os serviços médicos estão preparados assim como profissionais da área de saúde para continuar a oferecer às pacientes o diagnóstico mais precoce possível e, assim, as maiores taxas de cura. A despeito da pandemia, temos que continuar nos preocupando com o diagnóstico do câncer. Estamos próximos de entrar no Novembro Azul e no Novembro Branco, que reforçam as campanhas para câncer de próstata e câncer de pulmão. E Dezembro Laranja, mês de conscientização do câncer de pele, também está chegando. Neste novo tempo, o espírito mobilizador do Outubro Rosa deve continuar, com toda a sua força que abarca e expande a necessidade da prevenção das mais diversas formas de câncer. Os próximos meses devem ter esse mesmo tom. O câncer não espera. Por isso, que todo mês seja Outubro Rosa. Todo dia também. Cuide-se já.

GRUPO ONCOCLíNICAS. SUA ViDA, NOSSA VIDA.

Responsável técnico: Dr. Bruno Lemos Ferrari | CRM-MG 26609