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Câncer de pulmão: o que é e quais os fatores de risco

O câncer de pulmão foi responsável, em 2020, por 35,2 mil mortes no país – é o tipo mais letal entre as neoplasias. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), para cada ano do triênio 2020-2022 serão 17.760 casos novos de câncer de pulmão em homens e 12.440 em mulheres.

Os sintomas do câncer de pulmão geralmente não aparecem até que a doença esteja em um estágio avançado, o que explica em parte a elevada letalidade. Mesmo quando o câncer de pulmão apresenta sintomas, muitos pacientes podem confundi-los com outros problemas, como infecções ou efeitos provocados pelo tabagismo de longa data, o que acaba por retardar o diagnóstico.

Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. A incidência vem diminuindo desde que foram adotadas campanhas de cessação do tabagismo.

 

Público-alvo do rastreamento de câncer de pulmão

Estudos recentes mostraram que a realização de uma tomografia de baixa dose de radiação em fumantes com histórico de alta carga tabágica (um maço por dia por 30 anos, ou algo equivalente) e com idade entre 55 e 74 anos pode reduzir a mortalidade por esse câncer. A decisão de realizar o rastreamento deve ser debatida entre médico e paciente, assim como a periodicidade, que pode ser anual ou a critério do profissional, conforme os resultados do primeiro exame de imagem.

A American Cancer Society (ACS) tem uma diretriz de rastreamento de câncer de pulmão para pessoas com maior risco de desenvolver a doença baseada no National Lung Screening Trial. A ACS recomenda o rastreamento anual do câncer de pulmão para pessoas de 55 a 74 anos de idade que atendam às seguintes condições:

  • Ser fumante ou ter parado nos últimos 15 anos;
  • Ter histórico de tabagismo de pelo menos 30 maços/ano;
  • Ter recebido aconselhamento para deixar de fumar;
  • Ter recebido informações sobre os possíveis benefícios e malefícios; e
  • Ter um local adequado para fazer o rastreamento e o tratamento do câncer de pulmão.

 

Quais exames compõem o rastreamento do câncer de pulmão e onde podem ser feitos

O rastreamento por imagem do câncer de pulmão consiste na realização de uma tomografia computadorizada (TC) com doses baixas de radiação. A TC de tórax fornece imagens mais detalhadas do que radiografias e permite observar pequenas anormalidades nos pulmões. A tomografia de baixa dose utiliza uma menor quantidade de radiação quando comparada a uma tomografia padrão e não requer a utilização de contraste intravenoso.

Assim como qualquer procedimento, o rastreamento com tomografia de baixa dose pode apresentar algumas desvantagens. Uma delas é a detecção de anomalias que devem ser investigadas com mais exames, mas que acabam não sendo câncer, podendo requerer exames complementares, alguns invasivos como biópsias por agulha ou mesmo algum procedimento cirúrgico para retirar uma parte do pulmão. O que pode, às vezes, levar a complicações, mesmo naqueles que não têm câncer de pulmão ou que têm a doença em estágio inicial.

Mesmo assim, a realização desse rastreamento tem sido responsável pela redução na mortalidade por câncer de pulmão em torno de 20%, e de 7% na mortalidade geral, segundo dados do estudo National Lung Screening Trial.

Os exames podem ser realizados ambulatorialmente em clínicas ou hospitais, sem necessidade de internação.

 

Como é feito o encaminhamento para o rastreamento de câncer de pulmão

O encaminhamento para a realização do rastreamento de câncer de pulmão é feito por médico pneumologista, cirurgião torácico, oncologista clínico ou clínico geral, que avalia a necessidade do exame de acordo com as características da paciente.

 

Com que periodicidade deve ser feito o rastreamento de câncer de pulmão

Caso um nódulo pulmonar suspeito seja identificado na tomografia computadorizada, pode ser necessária uma avaliação para definir a melhor forma de prosseguir. O intervalo para o segundo exame é determinado levando em consideração o tamanho, a densidade e o número de nódulos pulmonares.

Se for detectado algum nódulo pulmonar muito pequeno ou não for detectada nenhuma anomalia, a tomografia deve ser realizada anualmente. Caso sejam detectados nódulos pulmonares maiores, o intervalo do segundo exame deve ser menor, de 3 ou 6 meses. Se não houver mudança dos nódulos entre os exames, o intervalo volta a ser anual.

Mas o mais importante é que isso seja orientado por um profissional capacitado no rastreamento do câncer de pulmão, e podem existir variações entre esses intervalos conforme cada caso.

 

Qual é o encaminhamento em caso positivo? E em caso negativo?

Se o resultado do teste de rastreamento for positivo para câncer, são solicitados outros exames para confirmação diagnóstica e é feito o encaminhamento a uma equipe especializada no tratamento (oncologista clínico, cirurgião torácico). A broncoscopia (endoscopia respiratória) avalia a árvore traquebrônquica e é um dos métodos para confirmação do diagnóstico, permitindo biópsia dessa região (retirada de pedacinhos do tumor com uma agulha para exame).

O tecido será então avaliado por um patologista. Uma vez obtida a confirmação da doença, é feito o estadiamento, que avalia a extensão do câncer em todo o corpo por meio de outros exames de imagem e, muitas vezes, laboratoriais.

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Responsável técnico: Dr. Bruno Lemos Ferrari | CRM-MG 26609