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GERAL

Câncer são doenças oriundas da multiplicação desordenada das células, que são capazes de invadir várias estruturas/áreas do corpo.

Com o avanço da medicina, as técnicas de detecção e tratamento do câncer evoluíram muito nos últimos anos. Grande parte dos tumores têm cura atualmente. Se diagnosticado precocemente, as chances de recuperação do paciente são sempre mais favoráveis.

Não. Tumor só é câncer quando é maligno. Tumor é como se denomina o crescimento do número de células, de maneira gradual e organizada, sem invadir outros tecidos e órgãos. Normalmente, se verifica o aumento de volume no corpo. Miomas são exemplos de tumores benignos que crescem no útero das mulheres.

Não. O câncer não pode ser transmitido entre indivíduos. Os tumores malignos são causados por alterações genéticas no organismo do paciente, que provocam a proliferação desordenada de células anormais.

O câncer de pele é o tipo mais comum de câncer no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer – INCA, o câncer de pele não melanoma corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país.

Sim. Praticar atividade física regular reduz o risco de ter diversos tipos de câncer. Os exercícios combatem o sobrepeso e o sedentarismo, fatores de risco para a doença. A dupla é responsável, por exemplo, por 20% da ocorrência do câncer de mama. Atividades físicas também favorecem o controle de hormônios sexuais, que atuam diretamente no desenvolvimento do câncer de próstata e mama.

No caso de quem já teve o diagnóstico de câncer, a atividade física pode, inclusive, reduzir o risco da doença voltar, além de melhorar a qualidade de vida relacionada ao tumor e/ou aos efeitos colaterais de alguns tratamentos.

TIPOS DE CÂNCER

  • CÂNCER DE BOCA

Não há relação entre gengivite e câncer de boca. A gengivite é uma inflamação da gengiva causada principalmente pela proliferação excessiva de bactérias. Outras causas possíveis são má oclusão dentária, presença de tártaro, cáries, tabagismo, baixa produção de saliva e exposição a produtos químicos. Quando está em fase inicial, provoca vermelhidão, dor e sangramento próximos aos dentes. Já em estágios mais avançados pode evoluir para o acometimento do osso e perda dentária. O câncer de boca, por sua vez, é uma doença que acomete mais homens do que mulheres, com idade superior a 40 anos e está relacionado a comportamentos de risco, como o tabagismo e etilismo, por exemplo. Quando detectado em estágios precoces pode ser tratado cirurgicamente, com quimioterapia e/ou com radioterapia, exibindo índices de sucesso satisfatórios. Do contrário, nos casos em que o diagnóstico é prorrogado, essa moléstia pode ser fatal.

Não, isso não é câncer de boca. Esse problema é mais conhecido como cáseo amigdaliano, ou, do latim, caseum. Forma-se em cavidades existentes nas amígdalas e decorre do acúmulo de restos alimentares nesses locais, que entram em processo de decomposição por bactérias da boca. Essas massas esbranquiçadas possuem odor desagradável e podem ser expelidas durante a fala, tosse ou espirro. Elas afetam uma significativa porcentagem da população e, além de estarem relacionadas ao mau hálito, também podem causar sensação de corpo estranho na garganta, dor, vermelhidão e amigdalites de repetição.

Sim. O câncer de boca é uma doença séria que possui potencial real de metastatização se não tratado precocemente. E quanto maior for a lesão, e mais demorado for o diagnóstico e início da terapia, maiores são as chances de a doença se espalhar por linfonodos e para outros órgãos, como pulmão, fígado e ossos, por exemplo.

Cerca de 90% dos pacientes diagnosticados com o câncer de boca eram fumantes, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mas vale lembrar que a ingestão de bebidas alcoólicas e a higiene oral precária também estão associadas ao aparecimento da doença, além da presença de um vírus oncogênico chamado HPV (Human papilloma virus).

Tanto o tabagismo quanto o etilismo são os maiores fatores de risco associados a neoplasias da cabeça e do pescoço e muitos anos de exposição a esses agentes são necessários para que eles promovam a doença. Entretanto, mais recentemente, vem ocorrendo uma alteração no padrão de comportamento da moléstia. A média etária dos pacientes está reduzindo e, atualmente, cerca de 30% dos portadores jamais foram usuários de álcool ou fumantes. Outro fator de risco tem sido claramente observado pelos pesquisadores: a infecção pelo vírus HPV (Human Papilloma Virus). Muitos pacientes com câncer da orofaringe, particularmente aqueles com doença nas amígdalas, ou na base da língua, possuem o vírus identificado no tumor. Sabe-se que sua transmissão ocorre por via sexual e que pessoas promíscuas e que praticam sexo desprotegido são mais afetadas. Dessa forma, pode-se afirmar que a pergunta acima faz sentido e que o contato com o HPV por meio de sexo oral desprotegido pode estar envolvido na iniciação de um câncer.

  • CÂNCER DE ESÔFAGO

O esôfago localiza-se entre a faringe e o estômago. É um tubo de cerca de 25 centímetros que permite a passagem da comida através de contrações musculares.

O esôfago é um órgão tubular que liga a faringe ao estômago e tem a função de permitir a passagem do alimento ou bebida. Já o estômago é um órgão entre o esôfago e o duodeno, que tem o papel principal de digestão dos alimentos por meio da ação do suco gástrico.

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ocorre quando há incompetência do esfíncter gastroesofágico, um anel muscular que regula a passagem de alimentos do esôfago para o estômago. Sua função é se abrir quando o bolo alimentar está sendo engolido e se fechar quando o alimento já está na região estomacal. Assim, evita-se que haja refluxo alimentar para o esôfago, juntamente com o ácido clorídrico e enzimas gástricas que participam do processo de digestão. Quando essa estrutura não está funcionando, provoca um processo de queimadura química crônica que, com o passar do tempo, provoca alterações no epitélio de revestimento esofágico, podendo se transformar em câncer.

O esôfago de Barret é uma condição provocada pelo dano prolongado da mucosa esofágica pelo refluxo ácido de conteúdo estomacal. O tecido epitelial que reveste o estômago é apropriado para suportar um pH baixo, condição fundamental para o processo de digestão que acontece nesse local. Entretanto, o epitélio de revestimento mucoso do esôfago não.

Quando o paciente é portador crônico da doença do refluxo gastroesofágico e não é tratado corretamente, desenvolve-se uma queimadura química na porção de transição entre o esôfago e o estômago. Nesses casos, o tecido esofágico, despreparado para isso, inicia um processo de transformação. Ele perde suas características escamosas e ganha propriedades de mucosas para tentar se adequar, processo conhecido como metaplasia e que caracteriza o esôfago de Barret histologicamente. E o risco reside aí: a inflamação crônica induz a tantas mudanças, que uma célula maligna pode se originar e dar início ao crescimento de um câncer no esôfago.

É importante esclarecer que o paciente com diagnóstico de esôfago de Barret não é portador de câncer. Ele apenas possui uma lesão que aumenta suas chances de desenvolver a doença se a inflamação persistir. Essa condição merece acompanhamento médico especializado e constante. O tratamento clínico é de suma importância e visa combater veementemente o refluxo com medidas clínicas e farmacológicas.

  • CÂNCER DE LARINGE

A laringe exerce função respiratória e fonatória — produção da fala. Ela permite o fluxo de ar durante a respiração, impede a entrada de partículas estranhas em vias respiratórias e permite a modulação da voz.

Os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe são semelhantes aos responsáveis pelo desenvolvimento de cânceres como o de boca e o de esôfago, sendo o tabagismo o principal vilão.

O paciente pode iniciar o quadro com rouquidão persistente, tosse seca, dor ao deglutir, dentre outros. Mas esses sintomas podem ser causa de patologias benignas também, por isso necessitam de avaliação profissional para que seja feito um diagnóstico diferencial. Ou seja, todo sintoma persistente deve ser avaliado por um médico especialista.

  • CÂNCER DE PULMÃO

Sim. É possível ter câncer de pulmão sem ser fumante. Mas é preciso lembrar que o tabagismo é o principal fator de risco desse tipo de tumor. Pessoas que fumam têm de 20 a 30 vezes mais chances de desenvolver a doença. O fumo passivo também está associado à patologia, além da exposição à poluição do ar ou de agentes químicos.

  • CÂNCER DE MAMA

Os tipos de câncer mais comuns nas mulheres são o de mama e o de colo do útero.

No Brasil, a mamografia e o exame clínico das mamas (ECM) por médicos especialistas são os métodos de rastreamento preconizados rotineiramente na atenção integral à mulher. A recomendação formal do Ministério da Saúde para a população geral é que as mulheres passem pela avaliação clínica anualmente, após os 40 anos de idade, e que se submetam à mamografia de rotina a cada um ou dois anos, juntamente com o exame das mamas anual, a partir dos 50 anos. Na literatura também existe a recomendação de realizar mamografia de rastreamento em mulheres, a partir dos 40 anos, associada ao autoexame mensal e ao exame clínico anual. A política de seguimento a ser adotada dependerá do perfil socioeconômico da paciente e também do discernimento do médico assistente. Para mulheres que têm acesso à mamografia e ao mastologista, o início mais precoce das medidas é bastante favorável.

Mas e quanto ao autoexame das mamas? A partir da década de 50, nos Estados Unidos, a técnica de autoexame das mamas foi amplamente difundida com a prerrogativa de que reduziria o número de diagnósticos de câncer de mama avançado. Entretanto, a partir de resultados de ensaios clínicos do final dos anos 90, que não foram bem-sucedidos em comprovar essa hipótese, ele foi abandonado em diversos países.

A prática do autoexame mamário, contudo, tem se mostrado útil em conferir à mulher um papel de corresponsável pela manutenção de seu estado de saúde. Antes de tudo, sua principal função atual é a de plantar a semente do rastreamento na vida da população feminina, ainda quando jovens. Dessa forma, esse método pode ser visto como uma medida educativa e toda mulher a partir dos 20 anos de idade deve ser incentivada a praticá-lo com certa regularidade. Afinal, ninguém melhor do que ela mesma para reconhecer detalhes de sua anatomia mamária e identificar alterações que mereçam avaliação particularizada por especialistas.

As mamas são constituídas, basicamente, por tecido glandular e ductos mamários, responsáveis pela produção e condução do leite materno, e por gordura, que determina o tamanho e forma dos seios. A proporção entre glândulas e gordura é o que define a densidade mamária. De maneira geral, quanto maior o número de glândulas em relação à porcentagem de gordura, maior a sua densidade. E, ao contrário do que se pensa, essa medida não tem relação com o tamanho, ou firmeza do órgão, mas, sim, é uma característica determinada pela mamografia.

Para a maioria das mulheres, a densidade das mamas reduz com a idade. A explicação para isso é que, ainda quando jovens, o tecido produtor de leite é fundamental e deve ser abundante. Mas na medida em que o tempo passa vai perdendo sua função e, progressivamente, sendo substituído por gordura. Ainda assim, mesmo na velhice, algumas permanecem densas e difíceis de examinar.

Mas por que isso é importante? A elevada densidade mamária, atualmente, está relacionada ao aumento do risco de desenvolvimento do câncer de mama. Não se sabe ao certo os motivos pelos quais isso acontece. Talvez o maior número de células ductais e glandulares aumente a probabilidade de ocorrência de transformação maligna. Além disso, ela ainda torna mais difícil a detecção de lesões suspeitas pela mamografia, pois nessas mamas a baixa presença da gordura faz com que as áreas suspeitas não se destaquem no método.

Apesar do que foi dito, não significa que se você tem mamas densas desenvolverá o câncer. Pelo contrário, isoladamente isso não tem valor algum. Na verdade, esse é somente um dos fatores de risco tradicionais envolvidos na gênese do problema. Variáveis como idade, tabagismo, exposição a hormônios, início precoce da menstruação, menarca tardia, gravidez após os 30 anos, bem como histórico familiar de lesões neoplásicas da mama e potenciais genéticos individuais, são apenas alguns dos elementos que compõem o risco.

A grande maioria das lesões que ocorrem na mama é benigna. O câncer de mama, no entanto, é a doença que mais gera preocupação porque é a malignidade mais comumente observada nas mulheres. O termo “doenças benignas da mama” engloba um grupo heterogêneo de lesões que podem se apresentar com amplo espectro de sinais e sintomas. Frequentemente, estão atribuídas a anormalidades do desenvolvimento mamário, a condições infecciosas e inflamatórias, a alterações fibrocísticas do órgão e a neoplasias benignas, como o fibroadenoma, por exemplo.

Com as técnicas de imagem disponíveis atualmente, como mamografias de alta resolução, ultrassonografias de alta qualidade, ressonâncias magnéticas e punções direcionadas, quase sempre se alcança o diagnóstico de uma lesão benigna sem necessidade de cirurgia. Como a maioria delas não está associada ao risco adicional de desenvolvimento de câncer de mama, procedimentos invasivos devem ser desencorajados. É importante estar cercado por uma equipe médica de confiança, que em conjunto possa conduzir o caso de maneira mais apropriada.

A maior parte das pessoas desconhece o fato de que homens, na condição de mamífero, também nascem com tecido mamário. Esse tecido é constituído por uma pequena quantidade de glândulas e ductos localizados abaixo dos mamilos e da aréola e distribui-se equivalentemente em meninos e meninas.

Após a puberdade, o ovário feminino inicia a produção de grandes quantidades de estrógeno e progesterona. Com o intuito de preparar a mulher para o processo de amamentação, os hormônios femininos são responsáveis pelo crescimento, desenvolvimento e modelamento dos seios, ao estimularem a proliferação glandular. No sexo masculino, entretanto, isso não ocorre de maneira tão pronunciada. A produção de estrógenos e progesterona ocorre apenas em quantidades mínimas e suficientes para manter o volume mamário apresentado no período pré-púbere.

Como todas as células do corpo, as células ductais mamárias dos homens podem sofrer transformação maligna. Entretanto, o câncer de mama é menos comum entre eles, não só porque seus ductos possuem menor celularidade, mas também por terem níveis inferiores de hormônios tróficos circulantes.

No sexo masculino, pela raridade dos casos, não se recomendam métodos de diagnóstico precoce nos mesmos moldes do que se pratica com mulheres após os 40 anos de idade. Ainda assim, conhecer o próprio corpo também é importante para eles. Portanto, diante da percepção de qualquer anormalidade à palpação, procure um especialista capacitado para auxiliar no diagnóstico.

Estrógenos e progestágenos naturais comprovadamente influenciam o crescimento e desenvolvimento de estruturas ductais e glandulares da mama. Uma vez que anticoncepcionais orais são constituídos por congêneres sintéticos desses hormônios, pesquisadores se interessaram em tentar correlacionar seu uso ao aumento do risco de neoplasias.

Os resultados conseguiram delinear melhor essa ligação com o câncer de endométrio e de ovário, conferindo, nessas moléstias, papel protetor aos anticoncepcionais orais. Contudo, em termos de câncer de mama, os dados dos principais estudos são conflitantes e inconsistentes. Apesar das dúvidas, a maioria deles tende a atrelar ao uso de contraceptivos um maior risco de desenvolvimento da doença. Ainda que isso seja verdade, o aumento de risco real é ínfimo e não deve gerar maiores preocupações na população geral. Essa informação pode ter relevância, no entanto, em casos de mulheres de alto risco, que possuam mutações genéticas predisponentes ou rica história familiar da doença, por exemplo.

Existem mulheres que, apesar de nunca terem tido câncer de mama, sabidamente, possuem um risco muito elevado de desenvolver a doença. Por exemplo, mulheres que possuem uma história familiar fortemente positiva para neoplasias de mama e/ou de ovário ou que possuem história familiar ou pessoal de câncer de mama em homem apresentam uma alta probabilidade de carregar consigo uma mutação deletéria no gene BRCA. Quando isso ocorre, torna-se muito elevada a possibilidade do surgimento do câncer, com chances beirando alarmantes 80%, ao longo de sua vida.

À luz dos conhecimentos atuais, nesses casos, a medicina consegue propor métodos que auxiliem na redução desse risco. Determinadas pacientes, após esclarecimentos de custo-benefício, podem optar por procedimentos invasivos, como retirada das mamas e/ou dos ovários, nos mesmos moldes do que fez a famosa atriz Angelina Jolie.

Para prevenção do câncer de mama, a cirurgia mais efetiva é a mastectomia profilática bilateral, com reconstrução. A técnica consiste, basicamente, na retirada de todo o tecido mamário glandular e ductal, onde verdadeiramente a doença se inicia, podendo ou não preservar os mamilos. A manutenção do complexo mamilo-areolar melhora os resultados cosméticos, dando aspecto mais natural à mama após reconstrução com implante de silicone. Em contrapartida, em termos de redução de risco, quanto mais conservadora a cirurgia, menores são os benefícios.

A opção entre operar uma pessoa saudável e não operar ou mesmo a escolha entre as possíveis modalidades cirúrgicas são decisões difíceis e precisam ser tomadas com bastante maturidade. Ainda que a paciente opte pela mastectomia total, que em tese conferiria maior proteção, é importante reconhecer a possibilidade de remanescerem áreas glandulares ocultas. Não raramente, pequenos focos de tecido permanecem aderidos na parede cutânea e muscular, ou em áreas extramamárias, como axilas, por exemplo, e servem como ninhos de crescimento tumoral. Para facilitar o processo ao máximo, é recomendável a consultoria com equipe multidisciplinar, composta por profissionais experientes no manejo desse tipo de situação.

A maior parte das mulheres submetidas à mastectomia por câncer de mama terá a chance de passar por uma cirurgia de reconstrução. Esse procedimento pode ocorrer de imediato ou pode ser tardio. No primeiro caso, a prótese mamária é implantada no mesmo dia, logo após o tempo cirúrgico da mastectomia. Já nos casos em que se posterga a reconstrução, ela é realizada dias, meses ou anos após o término do tratamento oncológico, com a parede torácica já cicatrizada. Talvez a situação que mais influencie nessa decisão seja a indicação de radioterapia. Se a reconstrução for mais delicada, a irradiação pode prejudicar a cicatrização e tornar os resultados finais insatisfatórios.

Uma terceira opção seria a reconstrução imediata-tardia, num processo intermediário ao que foi exposto anteriormente. Com esse método, um expansor é implantado sob a pele durante a mastectomia, o que preserva espaço para uma prótese. Dependendo da programação terapêutica da paciente, a peça de silicone pode ser alojada em sua posição mais precoce ou tardiamente, de forma mais simples e com ótimo perfil estético.

Primeiramente, é de suma importância estar resguardado por uma equipe médica multiprofissional com experiência no tratamento do câncer de mama. Muitas vezes uma abordagem interdisciplinar entre o mastologista e o oncologista clínico é o mais desejável, já que a recomendação terapêutica envolve uma grande variedade de nuanças. A idade, as condições clínicas em que a paciente se encontra e o estágio da doença, por exemplo, são fatores extremamente relevantes na indicação de uma mastectomia. É preciso lembrar que, apesar de simples, o procedimento carrega, embutido, um risco não desprezível de complicações e, se não estiver bem indicado, ao invés de contribuir, pode prejudicar a paciente.

Tecnicamente falando, a cirurgia é a forma mais eficaz de se erradicar a doença e deve ser recomendada sempre que houver possibilidades de cura. De um lado, para mulheres em que não se caracteriza envolvimento metastático e que tenham condições clínicas adequadas para o procedimento, a cirurgia é a principal estratégia de tratamento. Ela pode ser realizada antes ou após a quimioterapia e, nas duas situações, proporciona ganhos equivalentes em sobrevida. Geralmente, a mastectomia deve ser complementada por quimio e/ou radio e/ou hormonioterapia, com intuito de se evitarem recidivas.

Por outro lado, o câncer de mama passa a ser uma doença incurável, mas sim controlável, a partir do momento em que ele se dissemina para outras partes do corpo. Diante disso, a indicação cirúrgica do tumor primário passa a ser um objetivo questionável. De fato, nesse cenário, essa medida não confere vantagens importantes em termos de sobrevida à maioria dos casos e, muitas vezes, possui aplicação meramente estética e higiênica. Primeiramente, por evitar o crescimento do tumor na mama e todos os estigmas causados por infiltração da pele e músculos. E, por fim, porque minimiza a dor e as chances de infecção tumoral, ambos agentes potencializadores de sofrimento no paciente oncológico.

  • CÂNCER DE ESTÔMAGO

Existem pesquisas ainda em curso que associam o consumo de determinados tipos de alimentos ricos em sal, carnes processadas e defumados ao câncer de estômago. O que se pode afirmar é que ingerir alimentos mal conservados representa um fator de risco para o desenvolvimento de células cancerígenas ao longo dos anos.

Os antiácidos são drogas amplamente difundidas entre a população e ganham espaços cada vez maiores nos rankings de prescrições médicas. Entre eles, merecem destaque os inibidores de bomba de próton (IBP), representados no Brasil pelo omeprazol, pantoprazol, lansoprazol e esomeprazol. Essa classe de medicamentos é conhecida por ser a mais eficaz no combate à acidez gástrica, reduzindo-a em mais de 99%, o que proporciona alívio sintomático na esmagadora maioria de usuários.

Suas indicações de uso são várias e, no geral, por curtos intervalos de tempo, exceto numa condição chamada de síndrome de Zollinger-Ellison, na qual as células secretoras de ácido são hiperestimuladas continuamente. As principais recomendações envolvem, entre outros, o tratamento de: úlceras gástricas e duodenais benignas, doença do refluxo gastroesofágico, esofagite erosiva, infecções por Helicobacter pylori ou sintomas dispépticos gerais, como queimação. De maneira geral, 4 a 8 semanas de terapia são suficientes para resolver a maior parte das situações. No entanto, há casos que podem requerer o uso por longos intervalos de tempo, sem prazos determinados para encerrar.
Apesar de serem drogas seguras, alguns de seus efeitos colaterais em longo prazo ainda remanescem, de certa forma, incertos. E a hipótese que mais gera preocupações nesse sentido é de que os inibidores da bomba de prótons possam estar envolvidos no desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas no estômago.

Bem, apesar de alguns resultados apoiarem esse conceito, a maioria dos dados literários disponíveis não dá suporte a ele. Uma metanálise (trabalho científico com alto nível de qualidade) recentemente publicada, em dezembro de 2014, analisou todos os principais estudos conduzidos em adultos com essa finalidade. Os pesquisadores concluíram que, à luz dos conhecimentos atuais, não há evidências científicas que suportem a ideia de que o uso prolongado de inibidores de bomba de prótons esteja relacionado ao desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas. Entretanto, apesar de raríssimos os casos relatados, eles ponderam que existe um risco potencial embutido de espessamento (hiperplasia) de determinadas células estomacais que podem dar origem a uma neoplasia chamada carcinoide, um tipo de tumor de baixo potencial maligno.

Uma úlcera gástrica é uma ferida na mucosa estomacal, que normalmente se manifesta ou por dor na região alta do abdome, ou por sangramento. O principal tipo é a úlcera péptica, representada por uma erosão benigna da parede do estômago, ou do duodeno, proveniente da ação corrosiva do suco gástrico, rico em ácido e enzimas, sobre as células. O estômago possui mecanismos de defesa contra sua própria acidez. As células são preparadas para produzir uma camada de muco, que impede seu contato direto com o ácido produzido. Entretanto, em algumas pessoas, fatores como a genética, o tabagismo, o uso de anti-inflamatórios e a infecção pelo H. pylori, por exemplo, contribuem para que essa barreira seja quebrada e predispõem o indivíduo ao desenvolvimento da doença ulcerosa péptica. Essa doença, que já foi muito problemática e de difícil controle no passado, hoje é cada vez menos preocupante e teve seu tratamento revolucionado com o advento de antiácidos potentes, como os inibidores de bomba protônica.

O principal diagnóstico diferencial de úlceras pépticas benignas é o câncer de estômago, que também pode se insinuar sob a forma de úlceras, no entanto compostas por células malignas. A definição precisa entre as duas entidades demanda biópsias por endoscopia e análise em laboratório, já que tanto o aspecto macroscópico quanto os sintomas clínicos manifestados são muito parecidos. Em geral, as lesões pépticas têm forma arredondada ou ovalada, bordas bem delimitadas e assumem a tendência de ser mais planas ou pouco elevadas. O fundo normalmente é preenchido por fibrina e por áreas de tecido de granulação, que denotam aspecto de cicatrização. Por sua vez, as lesões malignas, destacam-se por apresentarem-se assimétricas e irregulares e por serem mais profundas. Ademais, geralmente possuem bordas elevadas, pregas assimétricas que se alargam e afunilam abruptamente e revelam áreas de necrose celular em seu fundo. Ao contrário da moléstia péptica, os tumores malignos gástricos são doenças complexas e merecem tratamento agressivo, muitas vezes, com ressecções cirúrgicas extensas, quimio e/ou radioterapia.

  • CÂNCER DE FÍGADO

O câncer de fígado, também conhecido como carcinoma hepatocelular (CHC), é um tumor maligno que se origina primariamente das células hepáticas (hepatócitos). Geralmente ele se desenvolve num contexto de doença crônica do fígado, de modo que os principais grupos de risco incluem os portadores de cirrose. Especialmente, nos casos provocados pelo vírus da hepatite B e C, e pelo consumo exagerado de álcool. Prevenir ou tratar tais situações pode reduzir as chances de desenvolvimento da doença. Já naqueles em que a cirrose está instaurada e isso já não é mais possível, o acompanhamento constante dos casos, por especialistas, com exames laboratoriais e de imagem, pode proporcionar um diagnóstico mais precoce e potencializar as taxas de cura da doença, que se avançada possui prognóstico ruim.

O pâncreas é um órgão adjacente ao fígado e produz, além de hormônios, enzimas que, em conjunto com a bile hepática, participam ativamente do processo de digestão alimentar. Apesar de se complementarem, eles são, de certa forma, independentes, do ponto de vista funcional. Sendo assim, a literatura não traça relações diretas entre os problemas que acometem o pâncreas e o risco de desenvolvimento de carcinoma hepatocelular.

O que ocorre, no caso das pancreatites, é que uma de suas principais causas é comum à cirrose. O paciente alcoólatra, durante sua vida etílica, promove danos contínuos a seu pâncreas e a seu fígado. Em alguns casos, eles se tornam irreparáveis e evoluem para pancreatite e cirrose crônicas, respectivamente. Em ambos os casos, devido à inflamação persistente, o risco de iniciação de uma malignidade primária torna-se maior e por isso a confusão quanto à associação entre uma doença e a outra.

Contudo, existe uma doença pancreática que possui forte relação com o fígado. Para entender melhor, é importante esclarecer o conceito de câncer metastático para o fígado. Nessa situação, que na realidade é a mais comum, o tumor maligno que se instala no órgão não surge dos hepatócitos, como no câncer hepatocelular. Ele é proveniente de células de outras partes do corpo, como da mama, do rim ou pulmão, por exemplo. Aí sim, em casos de câncer de pâncreas, existe uma correspondência muito grande entre a presença de uma massa pancreática (tumor primário) e acometimento hepático por metástases (tumor secundário). O fígado é um dos sítios de preferência para alojamento de ninhos de células cancerígenas pancreáticas.

O álcool é uma toxina que exerce efeitos deletérios sobre o fígado. A grande maioria das pessoas se expõe apenas esporadicamente ao consumo dessa substância e, no decorrer da vida, pouco provavelmente enfrentarão problemas com isso. Entretanto, outros praticam uso do etanol de forma abusiva, o que coloca sua saúde seriamente em risco.
Na medida em que o álcool é processado pelo fígado, libera radicais livres responsáveis por danos aos hepatócitos. Quando isso ocorre rotineiramente, em determinado ponto, o organismo perde a capacidade de se recuperar dessa agressão. Então, a inflamação crônica persistente e insistente leva à fibrose hepática, num processo conhecido como cirrose. Normalmente, essa condição, além de trazer grandes complicações à vida do paciente, ainda predispõe fortemente ao surgimento do câncer de fígado.

Na verdade, não há como prever a sensibilidade de cada indivíduo ao álcool. Algumas pessoas são capazes de superar facilmente as lesões induzidas por ele e, por mais que consumam indiscriminadamente, jamais sofrerão maiores consequências hepáticas. Ao passo que outras são constitucionalmente mais frágeis e, com consumos considerados apenas moderados, podem desenvolver esteatose hepática grave, hepatite alcoólica, cirrose e câncer. De maneira geral, estudos estabelecem que de 35 a 70 gramas de álcool por dia já seriam doses suficientes para causar sequelas irreparáveis em longo prazo. Em termos práticos, na média, isso corresponde a 7 a 13 drinks por semana para pessoas mais sensíveis e de 14 a 27 drinks semanais para os mais “fortes”.

Repare que não são números tão alarmantes e representam apenas de 1 a 4 doses por dia da semana, o que não é difícil de alcançar quando se estabelece o hábito. Reserve a bebida alcoólica apenas para momentos especiais e beba com responsabilidade. Evite ao máximo permitir que o álcool se torne parte da sua vida, pois para muitos, esse pode ser um caminho sem volta.

A gordura no fígado por tempo prolongado pode provocar uma inflamação grave no órgão, que, por sua vez, tem possibilidades de gerar quadros de cirrose hepática, cirrose de fígado e até o desenvolvimento de câncer.

  • CÂNCER DE PÂNCREAS

O pâncreas é um dos órgãos que compõem o sistema digestivo e endócrino. Ele tem duas principais funções: uma é produzir enzimas voltadas para digestão e absorção dos alimentos e outra é gerar a insulina, responsável por controlar o nível de glicemia no sangue.

O câncer de pâncreas em geral não é sintomático em fases iniciais, devido a sua localização anatômica. Em fases mais avançadas ele pode se apresentar com emagrecimento inexplicável, mal-estar geral, náusea, dor na parte de cima da barriga ou dor abdominal difusa associada a alteração da cor da pele e do branco dos olhos – que podem ficar amarelados -, alteração da coloração da urina, que pode ficar escura, e das fezes, que em geral ficam claras. Tais alterações também podem estar ligadas às patologias do fígado, por isso precisam ser avaliadas por um médico especialista para diagnóstico diferencial.

  • CÂNCER DE ÂNUS / CANAL ANAL

Sim. A prática do sexo anal é um dos fatores associados ao câncer de ânus. O risco de desenvolvimento da doença também está relacionado a algumas infecções, como HPV – papilomavírus humano e HIV, além de outras doenças sexualmente transmissíveis como gonorreia, herpes genital e clamídia. Sendo assim é de extrema importância utilizar preservativo nas relações sexuais.

Não. O ingurgitamento, dor e sangramento das hemorroidas, o que chamamos de crise hemorroidária é, de certa forma, uma situação comumente enfrentada por muitas pessoas. Não há relação entre essa doença e o desenvolvimento do câncer de canal anal, muito embora os sintomas possam ser os mesmos. Caso apresente alguns dos sintomas acima expostos, procure um especialista para orientá-lo na condução do caso.

Na verdade, a diarreia é uma manifestação que pode representar desde doenças mais simples até quadro graves. É possível que o câncer de canal anal provoque alteração no hábito intestinal do paciente, levando tanto à diarreia quanto à constipação, mas os principais sintomas da doença consistem em dor, sangramento retal e sensação de presença de uma massa na região.

Em geral, o tratamento se baseia no uso de quimioterapia em conjunto com a radioterapia e possui duração aproximada de dois meses.

Uma primeira reavaliação clínica é programada para 6 a 8 semanas após o término do tratamento. Revisões trimestrais são aconselháveis nos casos em que a resposta foi satisfatória, ao passo que, nos pacientes que geram dúvida, um acompanhamento mais próximo, muitas vezes com biópsias, pode ser necessário. Na maioria dos casos a doença é curável e as chances de recidiva, ou seja, de o câncer voltar, no geral, são maiores nos casos em que o tumor inicial é muito volumoso, ou já quando há acometimento dos linfonodos.

Em algumas situações não é possível tratar a doença de forma conservadora e uma abordagem cirúrgica torna-se necessária. Quando isso ocorre, os músculos do esfíncter anal, que controlam a continência fecal, são removidos e torna-se difícil restabelecer a ligação da porção terminal do intestino em sua posição original. A alternativa encontrada para solucionar esse problema é a realização de uma colostomia, que nada mais é do que um desvio do trânsito intestinal. Ao invés de o bolo fecal ser transportado ao longo de todo o intestino grosso e ser eliminado na região anal, ele será eliminado em um ponto anterior, por uma abertura confeccionada no abdome do paciente. Na prática é um procedimento bem simples, que proporciona boa qualidade de vida ao paciente. Se tiver outras dúvidas, procure a orientação de seu médico.

  • CÂNCER DE BEXIGA

Aproximadamente 70 a 80% dos pacientes diagnosticados com câncer de bexiga se apresentarão com tumores superficiais, que, no geral, são de melhor prognóstico. As chances de cura são maiores naqueles casos de baixo grau e em que não houve comprometimento de camadas mais profundas da bexiga, como a musculatura. Do contrário, se a neoplasia demonstra características de maior agressividade, como o alto grau nuclear, invasão muscular, acometimento de linfonodos, ou se o paciente já possui metástases a distância, as possibilidades de cura se tornam menores.

Lembre-se de que as taxas de sobrevida baseiam-se simplesmente em resultados de grandes grupos populacionais que tiveram a doença e foram acompanhados ao longo do tempo, mas elas não podem predizer o que irá acontecer individualmente. Mesmo porque muitos outros fatores estão envolvidos no prognóstico do paciente, incluindo problemas de saúde associados, hábitos de vida como o tabagismo e o quão bem seu organismo responde às modalidades de tratamento. Seu médico poderá ajudá-lo a interpretar os números e a adequar as respostas a seu caso.

Pacientes com câncer de bexiga classicamente se apresentam com hematúria (sangramento na urina) não dolorosa e intermitente (períodos de melhora e de piora). Dor no baixo ventre, sensação de urgência urinária e dor nas micções também podem estar presentes. O diagnóstico muitas vezes é postergado, pois esses sintomas são facilmente confundidos com os de outras patologias benignas do trato urinário, como infecção e cálculo renal. E esses atrasos diagnósticos, certamente, pioram o prognóstico do paciente, por proporcionarem à doença mais tempo para avançar.

Dessa forma, a maneira mais eficaz de erradicar o problema ainda em estágio inicial é enfatizar a importância do diagnóstico precoce. Diante de sintomas típicos e, principalmente, se o paciente possui fatores de risco associados, como história de câncer de bexiga na família, tabagismo ou exposição ocupacional a determinados agentes químicos, por exemplo, deve-se prosseguir com a investigação clínica. Em geral, métodos de imagem podem dar pistas sobre o diagnóstico, entretanto, o exame mais importante é a cistoscopia, que permite ao urologista enxergar o interior da bexiga e, ainda, proporciona chances de biópsias para confirmação histológica.

A doença propriamente dita, em geral, não interfere na virilidade do homem. Entretanto, o tratamento, principalmente quando envolve cirurgias extensas com retirada concomitante da próstata e/ou das vesículas seminais, ou quando requer radioterapia em determinadas áreas, pode resultar em disfunções sexuais. Isso porque aumenta as chances de se lesionarem os nervos responsáveis pelo processo de ereção peniana. Além do mais, durante um possível tratamento quimioterápico é normal que ocorra perda do desejo, bem como indisposição para a realização do ato sexual. Converse com seu médico a respeito dessa preocupação e ele poderá particularizar seu caso, expondo com mais detalhes os custos e benefícios dos procedimentos indicados.

Na verdade, o câncer de bexiga se manifesta praticamente com os mesmos sintomas e sinais de uma infecção do trato urinário. Não há indícios que comprovem que as infecções de repetição levem ao câncer. Mas a ideia que alguns pesquisadores defendem é que determinados pacientes tratados como portadores de infecções frequentes são, na realidade, portadores de câncer de bexiga. Além do mais, a simples presença do tumor na bexiga aumenta a probabilidade de proliferação bacteriana; assim, as duas situações podem coexistir. E a mensagem que fica é a seguinte: diante de sintomas persistentes, não menospreze esse diagnóstico. Ele pode ser a base de tudo.

Ao fumar, substâncias tóxicas são eliminadas junto à urina e agridem as paredes internas da bexiga. O tabagismo é uma das principais causas desse tipo de câncer.

  • CÂNCER DE ÚTERO

O câncer de colo uterino é o terceiro mais frequente na população feminina do Brasil e responsável por mais de 6 mil óbitos por ano, no país. Em quase 100% dos casos, traços do Papiloma Vírus Humano (HPV) são identificados, o que coloca esse micro-organismo como o principal vilão causador da doença. O HPV é um vírus transmitido por via sexual e está presente em cerca de 75% dos adultos sexualmente ativos. A maioria dos infectados é assintomática e nem sabe que é portador, o que facilita a perpetuação da transmissão. Existem mais de 100 subtipos virais, no entanto, apenas 13 são considerados oncogênicos e os principais são os tipos 16 e 18, que juntos se responsabilizam por 70% dos casos de câncer.

Baseado nisso, é compreensível que determinados comportamentos sexuais aumentem as chances de se contrair o vírus, que na realidade é o cerne da doença. O início precoce da vida sexual está listado como um fator de risco por dois motivos: primeiramente, porque se eleva a probabilidade da mulher ter mais parceiros, tornando maiores as possibilidades de transmissão. Depois, porque se a mulher contrai o vírus na adolescência logo com o primeiro parceiro, ainda que ele seja o único de sua vida, o HPV poderá atuar por mais tempo no organismo, aumentando as chances de transformação maligna do epitélio.

Atualmente, dispomos da vacina contra o HPV, que se mostra bastante segura e eficaz em prevenir a doença, e todos os que tiverem acesso devem ser incentivados a vacinarem-se. Além disso, vale ressaltar que o sexo consciente e seguro, com preservativo, não só protege contra doenças sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis ou hepatites, mas também reduz os riscos de propagação do HPV, o que, indiretamente, proporciona benefícios contra o câncer de colo uterino, de pênis, de boca e da região anal.

HPV é a sigla em inglês para Papiloma Vírus Humano. Esses são vírus sexualmente transmissíveis capazes de infectar a pele ou as mucosas, causando desde sintomas inespecíficos até a formação de verrugas e tumores malignos. Atualmente são descritos mais de 100 tipos de HPV, no entanto em torno de 13 são considerados oncogênicos, isto é, estão associados ao desenvolvimento de câncer. Os principais deles são os tipos 16 e 18, que juntos estão envolvidos em 70% dos casos de malignidade. Já os HPV 6 e 11 são os mais comuns e os principais envolvidos nas verrugas genitais benignas, também conhecidas como “crista de galo”. Esses últimos, em tese, possuem baixo potencial de malignização, mas também demandam avaliação por um médico especialista, já que, não raramente, coexiste a infecção por mais de um tipo viral.

O HPV é um vírus sexualmente transmissível e, como se sabe, está intimamente relacionado ao desenvolvimento de câncer de vulva, vagina, colo uterino, canal anal, pênis e boca. Atualmente, encontram-se disponíveis dois tipos de vacinas que proporcionam resultados muito satisfatórios em termos de proteção contra ele: a bivalente (Cervarix®) e a quadrivalente (Gardasil®). A diferença básica entre as duas é que a primeira confere proteção apenas contra os principais tipos de vírus implicados no câncer, ao passo que a segunda, além de reduzir as chances de infecção pelos HPV 16 e 18, ainda confere resistência contra os tipos 6 e 11, principais envolvidos no desenvolvimento das verrugas genitais.

A vacinação tem como objetivo apresentar antígenos virais ao sistema imunológico do indivíduo, antes que ele entre em contato com o micro-organismo. Assim, as células de defesa tornam-se preparadas para combater a infecção, no momento em que ocorre o contato sexual com o HPV. A ideia de se vacinar preferencialmente mulheres virgens se fundamenta nesse conceito. Assim, as chances de ela ter tido contato prévio com o vírus são mínimas e a vacina funcionaria em toda a sua plenitude. Entretanto, isso não significa dizer que ela é inútil em mulheres que já iniciaram a vida sexual. Pela lógica, o que acontece é que, quanto mais parceiros sexuais a paciente tiver conhecido, maiores são suas chances de já ter contraído a doença. E isso torna o papel da vacina questionável.

No Brasil, o governo preconiza que apenas meninas de 9 a 12 anos recebam a vacina pelo Sistema Único de Saúde, mas preferimos seguir recomendações de países com mais experiência no assunto e que colocam benefícios para a população acima de qualquer questão financeira. No Canadá, por exemplo, a vacinação é indicada para todas as mulheres e também aos homens, entre 9 e 26 anos de idade, mesmo que já tenham iniciado a vida sexual. O limite de idade para eles, no caso, é quase uma questão burocrática e é delimitado, pois os estudos que aprovaram as vacinas envolveram apenas pessoas nessa faixa etária. Dessa forma, mesmo para indivíduos com idade acima de 26 anos eles particularizam e recomendam o esquema vacinal. Na verdade, alguns especialistas argumentam que os riscos praticamente inexistem, ao passo que a vacinação em massa pode trazer benefícios ainda não conhecidos pela ciência, por imaturidade dos dados disponíveis no momento.

O tratamento do câncer de colo uterino pode envolver cirurgias de pequeno porte que preservam o útero, histerectomias (retirada do útero) ou até mesmo quimio e radioterapia. O planejamento terapêutico dependerá de diversos fatores, entre eles, o estágio clínico em que a doença se encontra, e deve ser realizado por profissionais com experiência na área.

Na verdade, em alguns casos, dependendo do estágio clínico em que a doença é diagnosticada, uma cirurgia mais ampla, que envolve a retirada completa do útero, pode ser o procedimento mais recomendado. Dessa forma, infelizmente a impossibilidade de gerar um filho é uma realidade, apesar de os ovários manterem a capacidade de produzir óvulos com potencial de fecundação. Além disso, nos casos tratados com cirurgias parciais uterinas, ou com quimioterapia e radioterapia, podem remanescer sequelas uterinas que dificultem a implantação e desenvolvimento do embrião. Caso esteja passando por essa situação, converse com seu médico e ele poderá orientar a melhor forma de se realizar o planejamento familiar.

Não. A histerectomia, como é chamada a remoção parcial ou total do útero, não afeta diretamente a vida sexual. Existe um equívoco ao associar a sexualidade da mulher à sua capacidade de gerar um filho. O procedimento não altera a sensibilidade ou lubrificação da vagina. Em alguns casos há, inclusive, a melhora da qualidade de vida sexual, já que as mulheres eliminam o desconforto que sentiam anteriormente com a cirurgia. Converse com seu médico e busque orientações.

Alterações do ciclo menstrual podem sinalizar doenças diversas associadas a fatores hormonais e condições benignas, como endometriose, hipotireoidismo ou miomas. Sangramentos persistentes ou que surgem depois do ato sexual precisam ser investigados porque há a possibilidade de estarem relacionados a alguns tipos de câncer, como o de colo do útero, de endométrio e de ovário.

Não é normal ter sangramento vaginal depois da menopausa. É preciso investigar a origem dessa anormalidade. Procure um médico ginecologista de sua confiança. Alguns tipos de câncer, como o do colo do útero, de endométrio e de ovário, estão associados ao sangramento persistente ou àquele depois de relações sexuais.

  • CÂNCER COLORRETAL/INTESTINO

É preciso ficar atento a uma pequena diferença de sangue nas fezes. Se ele aparece misturado às matérias fecais, pode ser um sinal de câncer de intestino. Mas se se apresenta à parte das fezes, é possível que seja uma alteração nas hemorroidas. É preciso ficar atento, procurar o médico e realizar um exame de toque retal; pelo qual é possível ter o diagnóstico definitivo.

Os métodos de rastreamento do câncer de mama, de colo uterino e de próstata já fazem parte da mentalidade da população geral quando se trata de diagnóstico precoce e prevenção de neoplasias. Quase todos estão familiarizados com as indicações de mamografia, do Papanicolau e do exame prostático. Entretanto, poucos conhecem ou já ouviram falar de um exame de igual importância nesse quesito: a colonoscopia preventiva.

Talvez seja novidade para muitos, mas não é exagero dizer que o câncer de reto e o do intestino grosso (cólon) são as neoplasias que possuem o maior potencial preventivo na medicina. E isso é explicado pelo fato de se originarem, na maioria dos casos, de lesões pré-malignas (pólipos) que podem ser identificadas pela colonoscopia, ainda antes de se transformarem em um câncer. A colonoscopia, em termos simples, consiste em um método diagnóstico que, por meio de uma câmera, permite ao médico enxergar o interior da porção final do trato digestivo. Assim, é possível identificar lesões precursoras desde o início do intestino grosso (ceco) até o reto, com a vantagem de permitir a coleta de biópsias e, inclusive, a sua ressecção completa, poupando o paciente de cirurgias invasivas.

Como se sabe, a chave da prevenção é o rastreamento regular. Existem diversos testes validados com esse propósito, entre eles a pesquisa de sangue oculto nas fezes, a pesquisa de DNA tumoral nas fezes e a retossigmoidoscopia flexível. Entretanto, entendemos que a colonoscopia assume posição de destaque também por suas propriedades terapêuticas e por isso será abordada especificamente nesse tópico.

Recomenda-se que uma colonoscopia preventiva de base seja realizada em todas as pessoas, aos 50 anos de idade. Então, a partir dos seus achados, um plano de seguimento será traçado pelo médico assistente. Indivíduos com o exame normal podem precisar repeti-lo somente em 5 a 10 anos. Do contrário, se forem encontrados pólipos pré-malignos, a depender de sua quantidade, aspecto ou tamanho, uma nova avaliação mais precoce poderá ser indicada, com intervalos de 2 a 3 anos.

Mas pessoas com maior risco merecem particularização do caso. Em famílias em que a prevalência da doença é alta e há relatos de acometimento de entes próximos genealogicamente, o acompanhamento colonoscópico deve se iniciar aos 40 anos, ou 10 anos antes do caso mais jovem (o que ocorrer primeiro). Ao passo que quando há comprovação da mutação genética que conduz à polipose adenomatosa familiar, por exemplo, o início do seguimento poderá ocorrer tão cedo quanto aos 10 anos de idade.

Não. Um pólipo colônico consiste em um grupamento de células que se projetam para o interior do cólon. A maioria deles é inofensiva. Entretanto, alguns carregam consigo potencial de se transformar em um câncer que, se não tratado, pode se disseminar pelo organismo.

Não. Os divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do trato digestivo e são muito comuns no cólon, principalmente após os 40 anos de idade. São formados por tecidos sadios, sem características de malignidade. Quando uma dessas estruturas se inflama, à semelhança da apendicite, instala-se um quadro de diverticulite. Esse processo é comum em pacientes idosos e pode envolver desde quadros mais simples, tratados apenas com antibióticos, até casos complexos, que demandam tratamento cirúrgico.

  • CÂNCER DE OVÁRIO

Não. O exame de Papanicolau apenas detecta o câncer de colo do útero. O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser descoberto. A avaliação inicial é feita por meio da ultrassonografia de abdômen e pelve ou o exame transvaginal e a tomografia computadorizada de abdômen e pelve. De acordo com os resultados, o médico pode pedir uma biópsia do tecido ovariano para o diagnóstico definitivo.

Várias linhas de pensamento sugerem a existência de uma correlação entre a presença da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e a elevação do risco de desenvolvimento do câncer de ovário. Existem poucos estudos considerando essa associação e seus resultados são conflitantes.

Por um lado, alguns autores defendem que a anovulação propriamente dita, principal consequência da SOP, está relacionada ao desenvolvimento de neoplasias malignas ovarianas. Outra corrente, no entanto, preconiza o extremo oposto. Segundo eles, o hiperfuncionamento dos ovários é que seria o grande vilão dessa história. Isso é, com o uso frequente de indutores da ovulação, prática comum no tratamento da infertilidade dessas mulheres, o risco de surgimento do câncer torna-se maior.

Seja por qual for o motivo, o fato é que aparentemente as pacientes portadoras de SOP são mais afetadas pelo problema. O risco é pequeno e não há recomendação formal de seguimento ostensivo desse subgrupo de mulheres.

A primeira menstruação é um marco na vida da maioria das mulheres, pois representa o início da fase fértil. A menopausa, por sua vez, ocorre quando os ovários interrompem a produção de óvulos e representa o fim da capacidade reprodutiva feminina. Geralmente, ela ocorre entre os 40 e 50 anos de idade e, caso se instaure antes dos 40, é denominada menopausa precoce.

Com a falência ovariana, o organismo passa a produzir menores quantidades de hormônios sexuais femininos. O decréscimo nos índices de estrogênios e progesterona provoca irregularidades no ciclo menstrual. À medida que o tempo passa, as ovulações e menstruações ficam progressivamente mais escassas, até que um dia cessam. Os principais sintomas provocados por esse desequilíbrio hormonal incluem ondas de calor, sudorese noturna, secura vaginal, perda do apetite sexual, alterações de humor e insônia, entre outros.

O estrógeno exerce efeitos tróficos sobre todo o aparelho reprodutor feminino, incluindo útero, mamas e ovários. Jovens que menstruam pela primeira vez antes dos 12 anos e também mulheres que entram na menopausa tardiamente, após os 50 anos, permanecem mais tempo sob os efeitos proliferativos desse hormônio. Assim, por estimular o crescimento das mamas, do endométrio e por induzir atividade de ovulação, a exposição estrogênica prolongada está relacionada ao desenvolvimento de neoplasias, como o câncer de mama, de endométrio e de ovário.

Diante do que foi exposto, respondendo ao questionamento, em tese, a menopausa precoce exerce efeito oposto: ao interromper a produção estrogênica mais cedo, a mulher se submete por menos tempo aos seus efeitos estimulantes. O que a torna, de certa forma, mais protegida do desenvolvimento da neoplasias ovarianas. Outros fatores que na teoria reduzem o risco são: gravidez antes dos 26 anos de idade; ter levado pelo menos uma gravidez até o fim; amamentação e ligadura de trompas.

A infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV) foi apontada como uma causa necessária para o desenvolvimento do câncer de colo uterino, recentemente. Tumores ovarianos estão entre os mais comuns e letais tipos de neoplasias do trato genital feminino e sua etiologia permanece desconhecida. Dessa forma, estabelecer sua relação com a infecção pelo HPV tem sido pauta de diversos estudos científicos, com resultados altamente controversos. Enquanto séries reportam ter encontrado um produto oncogênico derivado do vírus em cânceres de ovário, outras publicações são veementes em negar essa associação.

Até o momento, a presença do HPV se faz relevante, principalmente, nos órgãos diretamente envolvidos em relações sexuais, maneira pela qual é transmitido. Na maioria dos tumores de pênis, vulva, vagina, colo uterino, canal anal e cavidade oral, subtipos virais de alto risco são identificados. No entanto, à luz dos conhecimentos atuais, apesar da suspeita e dos resultados conflitantes, essa afirmativa ainda não pode ser comprovada para o câncer de ovário.

Em cerca de 75% dos casos de câncer de ovário o diagnóstico ocorre nos estágios III e IV, que são mais avançados. Para essas mulheres, uma cirurgia ampla, com retirada do útero, dos dois ovários e dos anexos uterinos torna-se a melhor estratégia terapêutica, e, ao mesmo tempo, torna-as incapazes de gerar um filho. Infelizmente, esse é o preço que se paga em busca das melhores chances de cura. Por sorte, a maioria dos diagnósticos é feito em pacientes com mais de 50 anos, em geral com família já estabelecida.

Algumas vezes, no entanto, quando tumores iniciais são identificados em mulheres que ainda não tiveram chance de conceber um filho, a remoção de apenas um dos ovários, o que preservaria a fertilidade, pode ser discutida. Esse é um assunto delicado e que envolve uma balança de riscos e benefícios potenciais. Cada caso é um desafio à parte e sua factibilidade deve ser individualizada. Para que tudo transcorra da melhor forma possível, é importante estar bem assessorada por uma equipe médica multidisciplinar e que tenha habilidade no manejo dessa situação.

  • CÂNCER DE PÊNIS

Sim. A má higienização é um dos principais fatores associados ao câncer de pênis. Lavar o órgão com água e sabão é uma ação simples e a melhor maneira de prevenir a doença. É importante higienizar de maneira cuidadosa o prepúcio, pele que reveste a “cabeça” do pênis.

A principal medida para a prevenção do câncer de pênis é a manutenção constante de uma higiene adequada do órgão. Outra medida importante é a utilização do preservativo em qualquer relação sexual, uma vez que diminui a chance de contágio de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a infecção pelo vírus HPV. A circuncisão também reduz o risco do desenvolvimento da doença.

Sim. Estima-se uma redução aproximada de 3,2 vezes no risco de câncer de pênis naqueles homens que realizaram a postectomia ao nascimento quando comparados aos homens que não fizeram o procedimento.

Sim. Quanto mais precoce o diagnóstico do câncer de pênis, maior a chance de cura. Além disso, a doença quando diagnosticada em estágios iniciais é tratada de maneira menos agressiva, resultando em menos sequelas e efeitos colaterais.

Os sinais de alerta mais importante são: alteração na pigmentação do órgão; feridas ou lesões que não desaparecem após tratamento médico, especialmente quando acompanhadas de secreções e mau cheiro; tumoração no pênis e/ou ínguas na região da virilha; inflamações de longo período.

O médico é o profissional treinado para avaliar, diagnosticar e tratar qualquer doença. O especialista médico mais indicado nesses casos costuma ser o urologista.

Existem duas maneiras de se realizar essa distinção. Clinicamente, através das características e da história evolutiva da lesão. Patologicamente, através da realização do exame de biópsia. Apenas a biópsia é capaz de diagnosticar definitivamente o câncer de pênis.

O seu médico pode solicitar exames de sangue e de imagem para avaliar a extensão local da doença ou se há o comprometimento de outros órgãos. Os exames mais comumente indicados incluem tomografias e/ou ressonâncias do abdome e da pelve e radiografia de tórax. Em algumas situações outros exames como o PET/CT (tomografia computadorizada com emissão de prótons) ou a cintilografia óssea podem ser úteis.

Não. Até o momento a cirurgia persiste como componente fundamental para o tratamento curativo do câncer de pênis.

Nem sempre. A indicação do tratamento radioterápico deve ser individualizada.

Não. O oncologista deve avaliar diversos fatores relacionados à doença e ao paciente para decidir sobre a indicação do tratamento quimioterápico.

  • CÂNCER DE PRÓSTATA

A próstata se localiza na parte baixa do abdômen do homem, abaixo da bexiga e à frente do reto.

A próstata produz e armazena parte do líquido seminal, que juntamente com os espermatozoides compõem o sêmen.

O exame de toque causa um leve desconforto, mas leva só cerca de 5 segundos. Com o toque, o médico sente a próstata e consegue analisar anormalidades. É um exame que pode avaliar a saúde do homem e diagnosticar o câncer precocemente.

A próstata é uma pequena glândula localizada entre a bexiga e o pênis e é responsável por produzir um fluido lubrificante e rico em nutrientes para os espermatozoides. Ela fica envolvida por uma cápsula, por onde passam pequenos nervos responsáveis pela ereção peniana. O câncer é uma neoplasia que se desenvolve a partir das células prostáticas. Quando ainda se encontra confinado à glândula, pode requerer tratamento com radioterapia, hormonioterapia ou cirurgia. E o que permite à equipe médica definir a melhor estratégia terapêutica entre essas modalidades são fatores individuais como idade, condições clínicas, nível de PSA, tamanho e grau de agressividade do tumor.

Nos casos em que o tratamento cirúrgico é recomendado não é possível retirar apenas a parte da próstata acometida pelo tumor. É necessário extirpá-la integralmente, dissecando cuidadosamente sua cápsula, numa cirurgia denominada prostatectomia radical. Executar uma prostatectomia requer muita destreza. O objetivo do cirurgião é remover todo o tecido glandular e junto com ele o câncer. Ao mesmo tempo, é preciso preservar parte da cápsula, onde ficam os nervos que participam da ereção que, se danificados, podem perder sua função. Em termos simplificados, é como tirar a poupa de um limão, deixando sua casca íntegra.

Algumas vezes, o procedimento torna-se tecnicamente difícil, seja por características anatômicas do próprio paciente, ou pelo grau de invasão do tumor, que pode estar acometendo a região capsular. Em certos casos, a remoção prostática fica condicionada à lesão dos nervos e o urologista passa a não ter escolha. Invariavelmente, em busca da cura, uma parcela considerável desses pacientes pode tornar-se impotente.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, isso não chega a acontecer. É natural que, nos primeiros dias a meses após a cirurgia, a disfunção erétil se manifeste, mas isso se dá por inflamação dos nervos pela manipulação cirúrgica. Entretanto, com o tempo e com ajuda de fisioterapia e medicamentos modernos, os resultados progressivamente melhoram. A tecnologia tem proporcionado avanços tremendos na medicina e as prostatectomias estão cada vez mais seguras. Em mãos experientes, as chances de eventos adversos graves são minimizadas e o paciente consegue, quase sempre, manter uma boa qualidade de vida, mantendo-se sexualmente ativo.

O Antígeno Prostático Específico (PSA) é uma proteína produzida e secretada pelas células prostáticas. Em condições normais, esse valor é baixo no sangue. Entretanto, diante de alterações da próstata, ele pode se elevar para níveis alarmantes. Além do câncer, diversas outras condições benignas promovem aumento do PSA, entre elas: trauma, prostatites (infecções) e, mais comumente, a hiperplasia prostática benigna, que consiste no crescimento natural da glândula com o avançar da idade. Portanto, diferenciar essas situações é praticamente impossível apenas com a dosagem sanguínea do PSA.

Além de uma conversa abrangente com o médico e do exame de PSA, o paciente também deve ser submetido a um exame clínico, que consiste no toque retal. Por meio desses três elementos, o examinador é capaz de compor uma hipótese diagnóstica mais precisa e de recomendar exames adicionais para confirmá-la.

Mesmo diante de uma história clínica compatível, de um PSA elevado e de um toque retal suspeito para câncer de próstata, uma biópsia comprovatória geralmente é necessária. Trata-se de um procedimento relativamente simples, que é feito sob orientação ultrassonográfica. Além de confirmar o diagnóstico, a partir da biópsia ainda consegue-se ter noção do grau de acometimento prostático e das características de agressividade da doença. De posse dessas informações, torna-se possível traçar o planejamento terapêutico ideal para cada indivíduo.

As taxas de câncer de próstata em homens variam sim, de acordo com sua raça e etnia. Nos Estados Unidos, por exemplo, em 2011, homens negros tiveram a maior incidência da doença, seguidos pelos brancos, hispânicos, asiáticos e índios americanos, respectivamente. As razões para essas diferenças são desconhecidas, apesar de estudos recentes sugerirem que algumas mutações genéticas mais presentes nos negros os predisponham a isso. Esse ainda é um território de muitas incertezas e pouco explorado. A justificativa real para essa disparidade demanda estudos adicionais.

  • LEUCEMIA

Não. A leucemia está associada a uma alteração genética adquirida ao longo da vida e não herdada. Casos de parentes com a doença podem ser explicados pela exposição dos membros da família a uma causa comum. São fatores de risco para esse tipo de câncer:

  • Tabagismo
  • Ter síndrome de down e outras doenças hereditárias
  • Exposição à radiação, como dos raios X e radioterapia
  • Fazer quimioterapia (algumas classes de drogas)
  • Ter síndrome mielodisplásica e outras desordens sanguíneas
  • Exposição ao benzeno, encontrado na fumaça do cigarro, gasolina e indústrias químicas

O sangue, na verdade, é uma mistura de células que se distribui em um fluido amarelado e rico em proteínas chamado de plasma. Sua função primordial é levar nutrientes e oxigênio a todos os tecidos do organismo e sua ausência é incompatível com a vida. O sangue é produzido dentro dos ossos, numa região chamada medula óssea, que, em condições normais, nunca para de trabalhar. Nos primeiros anos de vida, todos os ossos têm capacidade de produzir os elementos sanguíneos, mas, com o avançar da idade, essa função fica reservada para os ossos longos e achatados, como fêmur, úmero, costelas, esterno e quadril. Ao processo de produção sanguínea damos o nome de hematopoese.

Na medula óssea, existem células que funcionam como matrizes. São linhagens de células-tronco, por que não dizer, células-mãe, a partir das quais todas as séries de componentes do sangue são originadas. Os principais componentes sanguíneos são: o plasma e os elementos figurados, representados pelas hemácias (ou glóbulos vermelhos), células de defesa (ou glóbulos brancos) e pelas plaquetas. Abaixo, seguem particularidades sobre cada um deles.

  • Plasma: o plasma é composto basicamente de água, mas também contém nutrientes, hormônios, sais minerais e diversas proteínas, que conferem a ele uma coloração amarelada. Sua função é formar um meio fluido para transportar os elementos figurados, os nutrientes, sais, hormônios e água aos tecidos do organismo.
  • Hemácias (glóbulos vermelhos): essas estruturas, também conhecidas como eritrócitos, constituem de 40 a 50% do sangue e conferem a ele a coloração vermelha que enxergamos. Sua principal função é conduzir o oxigênio absorvido pelos pulmões para todas as células do corpo e, ao mesmo tempo, retirar o gás carbônico, produto tóxico do metabolismo. Hemácias vivem apenas 4 meses, mas a medula óssea saudável produz impressionantes 4 a 5 bilhões de glóbulos vermelhos por hora, para repor as perdas diárias.
  • Leucócitos: os glóbulos brancos representam as estruturas de defesa do organismo e são denominados, de forma genérica, de leucócitos. Eles são de cinco tipos, os neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos e estão envolvidos no combate diário de infecções bacterianas, virais e de quaisquer outras situações que agridem o organismo, como o câncer por exemplo.
  • Plaquetas: essas estruturas são também conhecidas como trombócitos. Na realidade, não são células propriamente ditas, mas sim fragmentos da célula matriz na medula óssea chamada megacariócito. Sua função básica é estancar sangramentos quando existe dano à parede de vasos sanguíneos. Normalmente, elas circulam pelo sangue na forma inativada, “monitorando” pontos de alteração. Quando ocorre lesão vascular, substâncias endoteliais ativam as plaquetas e os fatores de coagulação do plasma. Assim, inicia-se uma cascata de processos que culminam com a aderência multiplaquetária no local e com a formação de uma tela cicatrizante natural. O trombo plaquetário impede o extravasamento de sangue e ainda estimula o processo de reparo do vaso sanguíneo danificado. O corpo é mesmo uma máquina impressionante.

Os linfócitos são um dos tipos de glóbulos brancos (leucócitos) que compõem o sistema imunológico do corpo humano. Como os demais componentes, eles são produzidos na medula óssea e no timo, mas são armazenados principalmente nos linfonodos (gânglios) e no baço, onde terminam a fase de amadurecimento, antes de ganharem a circulação sistêmica.

Existem basicamente dois tipos de células linfocitárias: linfócitos B e linfócitos T. Os primeiros atuam a distância, isto é, não entram na luta corpo a corpo contra o invasor. São responsáveis por fabricar anticorpos, que, como balas de revólver personalizadas, são proteínas direcionadas especificamente contra determinadas proteínas presentes nos agentes agressores. Vírus, bactérias e células cancerígenas, por exemplo, ao serem reconhecidos como estranhos, são vítimas potenciais dos anticorpos, seja por destruição direta, por ativarem enzimas de destruição presentes no microambiente ou, ainda, por atraírem células que entram no embate físico. Uma vez ativados, determinados linfócitos B mantêm uma memória imunológica contra o antígeno, o que torna o processo destrutivo mais célere em um segundo contato. Isso explica, por exemplo, o funcionamento de vacinas.

As células T, por sua vez, participam elas mesmas do ataque ao inimigo, junto com os linfócitos Natural killers (NK), um terceiro tipo linfocitário do sistema imune inato, com marcante função citotóxica. Além disso, produzem substâncias que atraem as demais células de defesa para o local do combate. Entram em cena, então, neutrófilos, células dendríticas, macrófagos, monócitos, eosinófilos, basófilos, entre outros, cada qual com uma função destruidora específica.
Os linfócitos, na verdade, são o cérebro da resposta imunológica e modulam todos os seus aspectos, determinando quando ela inicia, sua intensidade e o momento de interromper o ataque. Quando em perfeito funcionamento, essa máquina é capaz de nos proteger dos mais diversos perigos.

A leucemia linfoide aguda (LLA) é o tipo mais comum de câncer em crianças e representa quase 30% de todas as malignidades na infância. Nos adultos, entretanto, perde em frequência para a leucemia mieloide aguda (LMA) e a leucemia linfoide crônica (LLC), representando 15% dos casos dessas neoplasias. A doença é produto da transformação maligna de linfócitos. O clone neoplásico deriva, em 80% dos casos, de um progenitor linfocitário B, mas pode vir também de linhagens de células T, como ocorre nos demais 20%.

O processo inicia-se na medula óssea, onde a população de células malignas cresce exageradamente, ocupando o lugar de células saudáveis. A primeira consequência grave é a supressão da hematopoese normal. Isso gera os sintomas clássicos da doença, caracterizada por anemia, plaquetas baixas e células de defesa malfuncionantes. Vale lembrar que, apesar do excesso de leucócitos, eles são clones imaturos e, portanto, incapazes de executar suas funções. Chega então um momento em que não há mais espaço na medula óssea e as formas jovens dos linfócitos, chamadas de blastos, começam a ganhar a corrente sanguínea, sendo detectadas em níveis alarmantes. Esse fato dá nome à doença: leucemia, que, ao pé da letra, significa excesso de leucócitos no sangue.

A leucemia linfoide aguda, apesar de se manifestar em adultos, é uma doença característica de crianças, com pico de incidência entre 2 e 5 anos de idade. Ocorre mais frequentemente em meninos do que em meninas e é mais comum entre indivíduos brancos do que em negros. A cada ano, nos Estados Unidos da América, cerca de 4 mil novos casos são diagnosticados. Suas taxas de sobrevida têm melhorado dramaticamente desde a década de 1980 e, atualmente, a estimativa de sobreviventes em 5 anos supera os 85% dos casos.

Além do que foi mencionado acima, são poucos os fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de leucemias linfoides agudas de células B e de células T e, muitos deles, ainda não são totalmente esclarecidos. A literatura faz algumas ponderações sobre os principais, quais sejam:

  • Deficiências genéticas: tanto a Síndrome de Down quanto a neurofibromatose tipo 1, Síndrome de Bloom, a Síndrome de Ataxia/Telangiectasia, a Síndrome de Klinefelter e a Anemia de Fanconi parecem estar relacionadas a um aumento significativo no risco de desenvolvimento de LLA;
  • Peso ao nascer: um estudo retrospectivo da Suécia demonstrou que o risco relativo torna-se maior à medida que aumenta o peso do recém-nascido. Entretanto, nessa mesma série, o risco foi ainda maior para aqueles que nasceram com menos de 1.500 g; – infecções: a infecção pelo vírus HTLV-1 está claramente associada a um raro tipo de leucemia linfocítica aguda de células T;
  • Gêmeos idênticos com leucemia: se comparados com a população geral, um irmão gêmeo idêntico de um indivíduo com LLA possui um risco aumentado de desenvolver a neoplasia, ao passo que gêmeos não idênticos não apresentam essa relação; – produtos químicos: a exposição a solventes químicos como o benzeno e a determinados agentes quimioterápicos aumenta as chances de uma pessoa.
  • LINFOMA E MIELOMA

As células de defesa envolvidas na resposta imunológica estão organizadas em tecidos e órgãos que, coletivamente, são reconhecidos como o sistema linfático. Os órgãos linfoides primários são a medula óssea e o timo. Neles são produzidas todas as células de defesa, a partir de linhagens progenitoras específicas. Os órgãos linfoides secundários, por sua vez, são responsáveis pelo processo de amadurecimento celular e incluem o baço, os linfonodos, que estão distribuídos em várias áreas no corpo, e o tecido linfoide associado a mucosas. Os últimos são representados pelas placas de Peyer no intestino, pelo apêndice, pelo tecido linfoide associado aos brônquios e pela amígdala com as adenoides e se dispõem nas principais vias de entrada de antígenos do corpo humano, compondo a primeira linha de defesa. Todas essas estruturas estão conectadas por uma trama de vasos complexa denominada rede linfática. A linfa é um líquido claro, derivado do plasma. Ela preenche esse sistema de vasos comunicantes, por onde circulam as células de defesa do organismo, paralelamente à corrente sanguínea.

A função primordial do sistema linfático é proteger o organismo de infeções ou de quaisquer outros agentes agressores em potencial. Ele se distribui pelos pontos mais estratégicos do corpo, principalmente sob a forma de linfonodos. Linfonodos são as sentinelas do corpo humano. Correspondem a pequenas estruturas nodulares encapsuladas, contendo em seu interior milhões de linfócitos maduros, prontos para reconhecer proteínas inimigas e desencadear a resposta imunológica. Os linfócitos exercem papel central na modulação do sistema imunológico e coordenam um exército de células altamente especializadas no combate a agressores.

Os linfócitos são células que participam ativamente da defesa do organismo e são os principais constituintes celulares do tecido linfático. Em condições normais, células-tronco progenitoras linfoides contidas no baço e no timo se desenvolvem e originam linfócitos B e T, respectivamente. Depois de formadas, essas estruturas se acumulam nos órgãos linfoides secundários, representados pelos linfonodos, baço e tecido linfoide associado às mucosas, onde se tornam células maduras e recebem uma função específica. Linfócitos B são responsáveis pela imunidade humoral, mediada por anticorpos, ao passo que as células T atuam de forma citotóxica.

O linfoma ocorre quando um linfócito assume comportamento maligno. Ele perde a capacidade de controle sobre seus mecanismos de replicação e inicia um processo de proliferação descontrolada. Assim, uma enorme quantidade de clones imaturos e disfuncionais passa a circular pelo sistema linfoide, com potencial letal.
Os linfomas podem derivar de linfócitos B, de linfócitos T ou de células Natural Killers (NK), sendo a primeira situação a mais comum. Em geral, eles se iniciam nos linfonodos. O padrão de disseminação, no entanto, é altamente variável, podendo respeitar sequências de cadeias ou acometer gânglios aleatoriamente. Eventualmente, podem surgir em outras áreas que contenham tecido linfático, como fígado, baço ou pulmão, por exemplo. Em estágios avançados, ocasionalmente, chegam até mesmo a infiltrar a medula óssea, assumindo comportamento semelhante ao das leucemias.

As principais manifestações clínicas dos linfomas são características. A maioria dos pacientes abre o quadro com linfonodomegalia periférica não dolorosa (ínguas). Essa é a manifestação inicial em dois terços dos casos e as principais cadeias acometidas são cervicais, supraclaviculares e inguinais. Além disso, é comum o surgimento dos chamados “sintomas B”. Esses ocorrem em 40% dos portadores e são representados por febre, frequentemente vespertina, sudorese noturna e perda ponderal superior a 10% do peso nos últimos 6 meses. Fadiga, mal-estar, coceira no corpo e fraqueza também compõem o leque de possibilidades.

Linfomas representam um conjunto de neoplasias linfoproliferativas malignas, com significativa heterogeneidade. Em virtude das diversidades no comportamento biológico, da diferença em termos de tratamento e de prognóstico e, também, devido a alterações histológicas, os linfomas são divididos em dois grandes grupos: linfomas de Hodgkin e linfomas não Hodgkin.

Os linfomas de Hodgkin, formalmente chamados de doença de Hodgkin, derivam de células B provenientes de centros germinativos dos linfonodos e contabilizam aproximadamente 10% dos linfomas. Eles possuem uma composição histológica única, contendo apenas uma pequena quantidade de células neoplásicas. Essas estruturas são conhecidas como célula de Reed-Sternberg e estão sempre entremeadas por um pano de fundo rico em células inflamatórias. Acometem mais adultos jovens, em torno dos 20 anos de idade, ou idosos, com aproximadamente 65 anos.

A maioria dos pacientes com a doença clássica se apresenta com linfonodos aumentados de tamanho e indolores, tipicamente envolvendo a região cervical. O padrão de disseminação normalmente respeita a sequência de cadeias linfonodais. Isto é, quando se inicia na região cervical, por exemplo, progride para gânglios supraclaviculares, logo abaixo. Em seguida, descem para axilas, para a região interna do tórax, pelos linfonodos mediastinais e, assim por diante, seguem pelo abdome. Os sintomas B (febre, sudorese noturna e perda de peso) estão presentes em 20% dos indivíduos com doença inicial e em 50% daqueles com doença mais avançada. Trata-se de doença de relativamente bom prognóstico. De 75 a 80% dos casos são curáveis e, quanto mais precocemente for detectada, maiores as chances de sucesso terapêutico.
Em contrapartida, os linfomas não Hodgkin (LNH) englobam um espectro de doenças bem mais heterogêneo, que vai desde neoplasias com bom prognóstico e curáveis até doenças altamente agressivas e letais. Eles podem derivar de linfócitos T e, mais raramente, de células Natural Killers, entretanto, a maior parte dos casos tem origem linfocitária B.
São descritos mais de 20 subtipos histológicos de LNH, que, por sua vez, são divididos, de acordo com seu comportamento biológico, em doenças indolentes, agressivas e altamente agressivas. Em tese, os linfomas indolentes são aqueles de baixo índice mitótico, ou seja, que crescem lenta e persistentemente, durante muitos anos. Em geral, respondem mal à quimioterapia e, apesar do comportamento quase benigno, são tecnicamente incuráveis. Linfomas agressivos, por sua vez, são os mais frequentes e apresentam altas taxas proliferativas. Se não tratadas, são doenças potencialmente graves, mas respondem bem à quimio e radioterapia, com potencial considerável de cura, dependendo do estágio clínico em que se encontram. Já as neoplasias altamente agressivas, como o próprio nome diz, são extremamente graves, refratárias a tratamentos e dotadas de alto potencial letal.

Os sinais e sintomas manifestados no linfoma não Hodgkin podem ser diferentes, dependendo do grau de agressividade e da localização do tumor. A manifestação mais comum é o intumescimento de linfonodos em várias regiões do corpo. O padrão de disseminação é aleatório e não respeita qualquer sequência, ou seja, ao mesmo tempo em que linfonodos cervicais estão acometidos, outros na região da virilha também podem estar. Massas volumosas na face, no tórax ou no abdome também não são incomuns e são sinais de doenças mais agressivas. Os sintomas B conferem pior prognóstico ao doente e estão presentes em aproximadamente 40 a 50% dos casos.

Comparativamente, linfomas não Hodgkin, em geral, são mais agressivos do que os de Hodgkin. Entretanto, com os avanços terapêuticos observados mais recentemente, o prognóstico de boa parte dos pacientes mudou radicalmente. Pode-se dizer que, hoje em dia, as taxas de sucesso terapêutico praticamente se equivalem.

As causas dos linfomas não Hodgkin ainda são desconhecidas. Sabe-se que, pelos princípios gerais da carcinogênese, sua origem se fundamenta na sobreposição de alterações genéticas, como mutações, deleções ou translocações, por exemplo. Atualmente, a ausência de informações mais precisas a respeito das principais vias aberrantes envolvidas nesse processo é deletéria. Conhecê-las seria o primeiro passo para o desenvolvimento de fármacos alvo-específicos, capazes de auxiliar no tratamento.

Pesquisadores identificaram uma série de fatores de risco que podem estar envolvidos no desenvolvimento de linfomas não Hodgkin.

  • Idade: o processo de envelhecimento favorece o surgimento de LNH. A maioria dos casos acomete pessoas com mais de 60 anos, apesar de determinados subtipos histológicos terem preferência por pessoas mais jovens.
  • Gênero: de forma global, o risco de desenvolvimento de LNH é maior entre homens do que em mulheres.
  • Raça/etnia: nos Estados Unidos, indivíduos brancos apresentam maior probabilidade de desenvolver LNH do que descendentes africanos/americanos. No mundo todo, essa é uma doença mais comum em países desenvolvidos.
  • Dieta e peso: alguns estudos sugerem que o sobrepeso e a obesidade podem aumentar o risco de LNH. Da mesma forma, dietas ricas em gorduras e em carnes também exercem esse efeito.
  • Exposição a radiação ionizante: estudos com sobreviventes de acidentes nucleares mostraram maiores taxas de incidência de LNH em sobreviventes. Além do mais, pessoas que se submeteram a tratamento radioterápico por outras neoplasias também possuem elevação de risco de desenvolvimento da doença durante suas vidas. A chance é ainda maior naqueles que receberam quimioterapia com agentes alquilantes no mesmo momento.
  • Exposição química: dados científicos revelam que tanto o benzeno quanto herbicidas e inseticidas podem estar relacionados à elevação do risco de desenvolvimento de LNH. Da mesma forma, o uso de agentes quimioterápicos para o tratamento de outras neoplasias, em fase diferente da vida, também demonstra essa relação.
  • Deficiências imunológicas: pessoas com sistema imunológico deficiente, como receptores de órgãos transplantados que usam imunossupressores, ou portadores de HIV, por exemplo, claramente, estão sob maior risco de acometimento por linfomas.
  • Doenças autoimunes: algumas doenças como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjogren, ou doença celíaca estão ligadas a maiores índices de desenvolvimento de LNH.
  • Infecções: vírus que podem afetar diretamente o DNA de linfócitos, como o HTLV-1, o herpes vírus 8 e o Epstein-Barr vírus, por exemplo, estão atrelados ao desenvolvimento de alguns tipos específicos de LNH. A infeção pela bactéria H. pylori também está marcantemente ligada ao surgimento de linfomas MALT.
  • Próteses mamárias: apesar de raro, algumas mulheres desenvolvem linfomas de grandes células anaplásicas na cicatriz cirúrgica de próteses de silicone.

A maior parte dos pacientes com linfoma não Hodgkin não possui nenhum fator de risco que possa ser alterado e, normalmente, é impossível se proteger contra o seu desenvolvimento. Não há como mudar a idade, o sexo, a raça ou as origens de uma pessoa. Tampouco, não se pode voltar no tempo e evitar uma exposição à radiação ou a agentes quimioterápicos. Entretanto, é possível investir na prevenção de determinados fatores, com o intuito de minimizar as chances de surgimento da doença.

Por exemplo, vimos que imunodeficiências podem elevar o risco de LNH, assim como a infecção por vírus que alteram o DNA dos linfócitos. Tanto o vírus do HIV quanto o HTLV-1 e o herpes são transmissíveis por contato sexual. Assumir um comportamento sexual mais responsável e adotar medidas simples como o uso de preservativos, além de prevenir contra DSTs, ainda reduz as chances de se desenvolver LNH futuramente.

Outra infecção atrelada a um subtipo específico de linfoma, o MALT, ocorre em virtude do Helicobacter pylori. Essa bactéria afeta o estômago e promove inflamação crônica, que estimula o desenvolvimento neoplásico, após anos de ocorrência. Tratá-la é uma medida simples e altamente eficaz em reduzir chances de linfomas.

Existem dados que sugerem uma relação positiva entre obesidade e dieta rica em gorduras e carnes e o desenvolvimento de diversos subtipos de LNH. Não se sabe ao certo se esses são fatores de risco reais, mas de qualquer forma comer melhor e perder peso são medidas adequadas para todas as pessoas, independente de qualquer outra relação.

Diversas modalidades de tratamento podem ser utilizadas contra os linfomas não Hodgkin. As escolhas dependerão, basicamente, do seu tipo histológico, de seu grau de agressividade e do estágio de disseminação da doença. Elas incluem quimioterapia, imunoterapia, terapia alvo-específica, radioterapia e transplante de medula óssea.

Os métodos de imagens mais modernos e o maior acesso populacional aos profissionais de saúde e ao arsenal terapêutico têm alterado as perspectivas de sobrevida dos pacientes, positivamente. O diagnóstico mais precoce, as melhores técnicas de radioterapia e o desenvolvimento de novas drogas altamente eficazes contra células linfocitárias malignas foram marcos importantes nos últimos anos. Em conjunto, essas medidas foram responsáveis por um enorme salto na qualidade do tratamento desses doentes e têm proporcionado, a vários deles, reais possibilidades de cura.

Não. O mieloma é um tumor que se origina do plasmócito, um tipo de célula presente na medula óssea. Já a leucemia é o nome dado a um grupo de doenças que acomete os leucócitos (glóbulos brancos), também originados da medula óssea.

  • SARCOMA

Não. Apesar de muitos pacientes relatarem casos de trauma recente, especialmente nas pernas e braços, a associação não é comprovada cientificamente. É comum, na verdade, que esses traumas alertem para nódulos já existentes no corpo. Já as inflamações podem sim aumentar o risco de sarcoma.

TRATAMENTOS

  • QUIMIOTERAPIA

O paciente deve procurar atendimento médico imediatamente se apresentar:

  • Febre (temperatura > 37,8ºC);
  • Manchas ou placas vermelhas pelo corpo;
  • Dor ou ardência para urinar;
  • Sangramentos que demoram a estancar;
  • Falta de ar;
  • Diarreia e/ou vômito intensos;
  • Inchaço das pernas, principalmente quando é assimétrico (maior de um lado do que do outro);

Mas, de modo geral, se o paciente apresentar quaisquer outras alterações surgidas após o início do tratamento e que sejam motivo de preocupação, ele deve consultar o seu médico.

Os possíveis efeitos colaterais da quimioterapia podem determinar a necessidade de o paciente adotar algumas medidas que, juntamente com as demais medicações administradas, irão reduzir a probabilidade de ocorrência desses efeitos colaterais, sua intensidade e/ou sua duração.
Por exemplo, a quimioterapia pode causar neutropenia acentuada em alguns casos. Quando esse risco existe, o paciente pode precisar se precaver, através de algumas atitudes simples, como:

  • Ingerir alimentos saudáveis e de procedência segura;
  • Evitar ambientes fechados e com muita gente;
  • Evitar comer alimentos crus;
  • Ter cuidado ao fazer a barba para não se cortar, usando barbeador elétrico, se possível;
  • Evitar tirar as cutículas e fazer depilação.

Esses cuidados têm como objetivo reduzir o risco de contrair infecções, durante períodos em que as defesas do organismo podem estar fragilizadas. Para saber se a quimioterapia que você está recebendo causa neutropenia e se você precisa tomar esses cuidados, converse com seu médico.

Não. Cada organismo é único e reage de forma diferente à quimioterapia. Algumas pessoas podem apresentar reações adversas com a quimioterapia, enquanto outras não, independentemente do efeito que o tratamento está causando no tumor. Somente o médico responsável pelo acompanhamento do paciente poderá dizer se o tratamento está sendo eficaz ou não, com base nos exames físicos, de imagem e/ou laboratoriais.

Essa é uma pergunta frequente entre as mulheres com câncer de mama. A medicação em si não engorda, mas vários fatores presentes durante o tratamento podem contribuir para o ganho de peso. Entre eles estão:

  • Redução da atividade física com manutenção da ingesta calórica;
  • Eventual cessação das menstruações durante a quimioterapia, o que significa alteração hormonal;
  • Ansiedade e estresse emocional;
  • Uso de medicações associadas à quimioterapia, como corticoides.

Com relação aos outros tipos de câncer, de maneira geral, o paciente pode perder um pouco de peso durante a quimioterapia, por apresentar diminuição do apetite e, eventualmente, náuseas e vômitos.

Os efeitos colaterais da quimioterapia variam de acordo com diversos fatores, entre os quais:

  • Droga(s) utilizada(s);
  • Dose do(s) medicamento(s);
  • Duração do ciclo de tratamento;
  • Tipo de câncer;
  • Estado geral do paciente;
  • Existência de outras doenças associadas ao câncer.

Assim, um paciente pode ter um ou mais efeitos colaterais, sendo observada intensidade variável de pessoa para pessoa.
Os efeitos colaterais da quimioterapia usualmente ocorrem em virtude da ação dessas drogas sobre o processo de divisão celular. Dessa forma, além das células tumorais, também são afetadas as células normais que estão em divisão celular, tornando mais susceptíveis à ação dos quimioterápicos os tecidos do organismo com alta taxa de divisão celular, como a medula óssea e as mucosas.
Entre os possíveis efeitos colaterais da quimioterapia, estão:

  • Fraqueza;
  • Mucosite;
  • Diarreia;
  • Perda ou ganho de peso;
  • Alopecia (queda de cabelo);
  • Alterações nas unhas;
  • Náuseas e vômitos;
  • Neutropenia, anemia e plaquetopenia;
  • Formigamento dos pés e das mãos.

Em geral, os efeitos colaterais da quimioterapia vão diminuindo gradativamente após o término do tratamento, até o completo desaparecimento. Assim, é comum que as unhas retornem ao normal e que os cabelos voltem a crescer.
Contudo, alguns efeitos colaterais podem se tornar permanentes, como é o caso da cessação das menstruações em certos casos de quimioterapia para o câncer de mama.
Para saber mais precisamente os possíveis efeitos colaterais aplicados ao seu caso, converse com seu médico.

A quimioterapia pode ser administrada de forma isolada ou em combinação com outras formas de tratamento para o câncer, como as drogas alvo moleculares, a hormonioterapia, a radioterapia e a cirurgia. A combinação da quimioterapia com as demais alternativas terapêuticas pode ser concomitante, neoadjuvante ou adjuvante.
Os quimioterápicos podem ser administrados através das seguintes vias, dependendo da droga:

  • Oral;
  • Intravenosa;
  • Intramuscular;
  • Subcutânea;
  • Intratecal, pela espinha dorsal;
  • Tópica.

A quimioterapia pode envolver a administração de uma única droga (monoterapia). Contudo, como os quimioterápicos têm diferentes mecanismos de ação, a quimioterapia também pode ser feita através da administração de mais de um tipo de medicação, geralmente pertencentes a diferentes classes de quimioterápicos, combinados em um regime predeterminado de tratamento. Além disso, a quimioterapia costuma ser aplicada de acordo com um ciclo de tratamento preestabelecido, independentemente de ser usada uma droga ou mais. A duração do tratamento é variável, dependendo da doença e dos medicamentos utilizados.
Junto com a quimioterapia, os profissionais de enfermagem especializados podem administrar também soro e medicamentos que auxiliam a diminuir os efeitos colaterais da quimioterapia.

O paciente deve evitar alimentos ácidos, como álcool, abacaxi, café e refrigerantes; mas eles não são necessariamente proibidos. A orientação tem o objetivo de prevenir o aparecimento de feridas na boca.

  • Uso de cateter

Apenas após o procedimento de colocação, durante a infusão e até a cicatrização do corte, normalmente de sete a dez dias (data provável da retirada de pontos, se houver). Seu médico ou enfermeiro poderão orientá-lo.

Se você já pratica esportes ou deseja iniciar atividades físicas, não há contraindicação durante o tratamento. É possível que você se sinta menos disposto e um pouco mais cansado, sendo necessário ficar atento para não ultrapassar seu limite de esforço.

Não. Porém, alguns pacientes sentem incômodo quando estão em decúbito ventral (barriga para baixo). Aqueles que realizaram esvaziamento axilar deverão evitar dormir sobre o braço operado devido ao risco de inchaço e dor.

No dia a dia não há necessidade. Porém, no dia da punção do seu cateter, é recomendável o uso de camisas ou camisetas de gola aberta.

A permanência do cateter será durante o tratamento. Alguns médicos optam por deixar o cateter por um tempo mais prolongado. Converse com ele a respeito.

Sim. Enquanto seu médico não liberar a retirada do cateter, deverá ser realizada manutenção mensal, que é a lavagem do cateter, com solução de heparina.

O cateter é fabricado em plástico ou metal, geralmente não detectado pela maioria dos sistemas de segurança ou alarmes. Apresente um cartão de identificação que poderá ser fornecido por seu médico caso isso aconteça.

De mil a 2 mil punções, dependendo do calibre das agulhas.

Após liberação do seu médico, você passará por procedimento cirúrgico semelhante ao da implantação.

O uso de protetor solar com fator de proteção adequado (em geral acima de 30fps), além do uso de roupas adequadas, que protejam a maior parte do corpo, é recomendado antes, durante e após o tratamento, sempre que o paciente for exposto ao sol e com reaplicações frequentes.

Alguns tratamentos, inclusive, aumentam a sensibilidade da pele a danos solares, o que torna tais medidas de fundamental importância.

  • RADIOTERAPIA

  • Lave a área tratada com água e sabão neutro. Enxugue com uma toalha macia, sem esfregar.
  • Não use cremes, loções, talcos, desodorantes, perfumes, medicações ou qualquer outra substância na área irradiada, sem a orientação da equipe de tratamento.
  • Só utilize algum tipo de curativo na pele com a orientação de seu médico.
  • Não utilize sacos de água quente ou gelo, lâmpadas ou qualquer outro material sobre a pele em tratamento.
  • Proteja a pele exposta à luz solar, usando um protetor solar com fator igual ou maior do que 15.
  • Dê preferência às roupas feitas de algodão. Evite os tecidos sintéticos do tipo nylon, lycra ou tecidos mistos com muita fibra sintética.
  • Evite usar roupas apertadas.

A radioterapia pode causar vermelhidão, descamação e queimação na pele. Não é recomendável passar nenhuma substância na área irradiada sem a orientação da equipe de tratamento. Apenas cremes hidratantes neutros, sem álcool, costumam ser autorizados pelos médicos.

Cada pessoa reage de forma diferente à radioterapia, sendo que a intensidade desses efeitos depende da dose do tratamento e da extensão da área irradiada. É comum que a pele que recobre a área irradiada apresente vermelhidão, ardor, coceira e alteração da coloração (escurecimento).
Os efeitos colaterais também variam conforme a parte do corpo tratada:

  • Cabeça: pode ocorrer queda de cabelo, náuseas e vômitos.
  • Boca e pescoço: pode haver dificuldade para alimentação devido à inflamação do revestimento interno da boca e da garganta (mucosite).
  • Tórax: pode haver tosse seca, por inflamação dos brônquios (estruturas cilíndricas que levam o ar para dentro dos pulmões), ou dificuldade para alimentação, por mucosite no esôfago (órgão cilíndrico que leva o alimento ao estômago).
  • Abdome: podem ocorrer náuseas, vômitos, diarreia.
  • Bacia: pode haver ardor para urinar e/ou evacuar. Nas mulheres, pode ocorrer secura vaginal, com desconforto durante relações sexuais. Nos homens, pode haver diminuição do fluido da ejaculação quando a próstata é irradiada.

Além desses efeitos dependentes da área de tratamento, os pacientes em radioterapia podem apresentar cansaço. Normalmente, os efeitos colaterais desaparecem gradativamente ao término do tratamento.
A radioterapia pode ainda causar alguns efeitos colaterais denominados tardios, por ocorrerem meses ou anos após término o tratamento. Esses efeitos colaterais são mais raros, mas podem também ser mais graves. Consulte o médico a respeito dos possíveis efeitos colaterais tardios da radioterapia.

Normalmente, o paciente não sente nada durante e imediatamente após a aplicação da radioterapia. Os eventuais efeitos colaterais da radioterapia geralmente demoram alguns dias para aparecer. Habitualmente, os efeitos colaterais não surgem abruptamente; eles se desenvolvem de forma insidiosa ao longo da radioterapia. Salvo em situações especiais, que serão devidamente explicadas pelo médico radioterapeuta, o paciente pode comparecer sozinho ao serviço de radioterapia, retomando suas atividades normais ao término do tratamento.

A radioterapia atua alterando a estrutura de diferentes moléculas no interior das células, em especial o DNA. As partículas eletricamente carregadas e aceleradas, resultantes da interação da radiação ionizante com o organismo, podem agir direta ou indiretamente sobre o DNA, causando danos à estrutura das moléculas de DNA.
A alteração do DNA provocada pela radioterapia nas células tumorais leva à destruição dessas células. Esse efeito também é observado sobre as células normais, o que pode ocasionar os efeitos colaterais da radioterapia.
Contudo, a forma como a radioterapia é administrada, a dose aplicada e o intervalo entre as aplicações foram estudados de maneira a permitir um maior efeito sobre o câncer e um menor efeito sobre as células normais.
Além disso, o médico radioterapeuta, durante a fase de preparação do tratamento, busca a maneira mais adequada de aplicar a máxima dose recomendada no tumor, com a mínima exposição possível dos tecidos sadios. Dessa forma, o tratamento objetiva a maior probabilidade de cura, com a menor incidência possível de efeitos colaterais.

Sim. A radiação não restringe o contato do paciente com outras pessoas. No procedimento, o corpo do paciente é atravessado externamente pela radiação. A radiação não é absorvida. Assim, a pessoa não fica “radioativa”.

  • HORMONIOTERAPIA

Na verdade quando dizemos “hormonioterapia” lê-se drogas com efeito anti-hormônio. A hormonioterapia pode ser feita de três formas:

  • Medicamentosa: através da administração de medicamentos que inibam a produção ou impeçam a ação dos hormônios sexuais femininos. Esses medicamentos podem ser administrados por via oral e por injeções subcutâneas ou intramusculares. Em geral, os hormonioterápicos orais são administrados diariamente. Já os hormonioterápicos injetáveis são habitualmente administrados mensal ou trimestralmente. Ocasionalmente, pode-se ainda fazer a combinação entre um hormonioterápico injetável e outro oral em mulheres que não estejam na menopausa. A hormonioterapia medicamentosa é a forma mais frequentemente utilizada para o câncer de mama.
  • Cirúrgica: através da remoção cirúrgica dos ovários. Esse método é utilizado mais raramente.
  • Radioterápica: através da irradiação dos ovários. Atualmente, essa forma de hormonioterapia vem sendo muito pouco utilizada.

Não. Nem todos os tumores de mama são estimulados pelos hormônios sexuais femininos. Por isso, é muito importante realizar a pesquisa para a presença dos receptores hormonais (estrogênio e progesterona). Nos casos em que os receptores hormonais estão presentes, a hormonioterapia pode ser indicada. Além da hormonioterapia, o tratamento do câncer de mama pode incluir a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia e as drogas alvo moleculares. A hormonioterapia pode ser utilizada de forma isolada ou em combinação com essas formas de tratamento.

A hormonioterapia (lê-se: terapia anti-hormonal) para o câncer de próstata pode ser feita de duas formas:

  • Cirúrgica: através da remoção dos testículos.
  • Medicamentosa: através da administração de medicamentos que inibam a produção ou impeçam a ação dos hormônios sexuais masculinos. Esses medicamentos podem ser administrados por via oral e por injeções intramusculares ou subcutâneas. Em geral, os hormonioterápicos orais são administrados diariamente. Já os hormonioterápicos injetáveis são habitualmente administrados mensal ou trimestralmente. Ocasionalmente, pode-se ainda fazer a combinação entre um hormonioterápico injetável e outro oral.

Não. Além da hormonioterapia, o tratamento do câncer de próstata pode incluir a cirurgia, a radioterapia e, menos frequentemente, a quimioterapia. A hormonioterapia pode ser utilizada de forma isolada ou em combinação com essas formas de tratamento. A decisão sobre a utilização da hormonioterapia depende de diversos fatores, entre os quais a extensão da doença, o nível sanguíneo de PSA, as características das células tumorais na análise microscópica e as demais modalidades de tratamento a serem utilizadas para o caso em questão.

Sim, na maioria das vezes. Entre os efeitos colaterais previstos está a redução da libido, a impotência sexual e o ressecamento vaginal. É essencial conversar com seu médico para aliviar esses sintomas adversos.

  • SEXUALIDADE

Os fármacos utilizados no tratamento da quimioterapia podem reduzir ou aumentar temporariamente a produção de hormônios, provocando, em algumas mulheres, alteração do ciclo menstrual. Devido ao tratamento, pode ocorrer interrupção completa da menstruação. Após o término do tratamento, o ciclo menstrual pode voltar ao seu funcionamento normal, principalmente nas pacientes mais jovens.

É importante a mulher em idade fértil utilizar um contraceptivo durante o tratamento, pois os medicamentos utilizados podem causar malformação do feto. Verifique com seu médico a necessidade do uso de contraceptivos e quais são permitidos, visto que alguns anticoncepcionais orais podem ser contra-indicados para algumas pacientes.

Algumas drogas podem diminuir a possibilidade de ter filhos. Existem clínicas de fertilidade que realizam a preservação de óvulos e espermatozoides. Tire as dúvidas com o seu médico.

A infecção pelo HPV- papiloma vírus humano é fator de risco para alguns tipos de câncer, como o do colo do útero, ânus e boca. Normalmente, a doença é transitória: é combatida pelo próprio organismo e regride de forma natural. Quando o HPV resiste, origina-se de um vírus que pode causar lesões pré-cancerosas que, se não tratadas, evoluem para o câncer.

  • IMUNOTERAPIA

É uma opção de tratamento que induz o combate das células cancerígenas pelo próprio sistema imunológico do paciente.

Sim, mas a imunoterapia apresenta menos efeitos colaterais do que a quimioterapia, e alguns pacientes podem simplesmente não ter efeito colateral algum. Os pacientes tratados com o método não apresentam queda de cabelo, náuseas, vômitos e a fraqueza característica após os tratamentos quimioterápicos, mas podem apresentar inflamações do intestino grosso ou pulmão. A imunoterapia é um tratamento com menor impacto na qualidade de vida do paciente.

Atualmente a imunoterapia é indicada apenas para os tipos de câncer que ela tem maior eficácia comprovada e já aprovada para uso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como:

  • Melanoma metastático – câncer de pele relativamente raro, grave e muito resistente aos tratamentos como quimioterapia e drogas de alvo molecular, que se espalha por uma ou mais partes do corpo.
  • Câncer de pulmão metastático: doença incurável e inoperável. A imunoterapia, combinada com quimioterapia, tem apresentado excelentes resultados.

A expectativa é que o tratamento também combata os tumores de bexiga, estômago e rim futuramente.

  • DROGAS DE ALVO MOLECULAR

Drogas de alvo molecular são aquelas que agem diretamente em um sítio específico do tumor e preservam as células saudáveis. Elas atacam características específicas das células malignas, tornando-se uma opção de tratamento menos agressiva ao organismo e, em alguns casos, mais eficiente contra a doença.

Sim, mas o tratamento causa menos efeitos colaterais nos pacientes do que a quimioterapia, que costuma provocar vômitos, náuseas e queda de cabelo. Contudo, é importante ficar atento às possíveis reações adversas dessas drogas, que vão da hipertensão arterial, diarreia e inflamação da parte interna da boca e garganta a alterações cutâneas.

Não. Trata-se de duas modalidades de tratamento diferentes que tentam combater o câncer de forma mais precisa e trazem uma melhor qualidade de vida ao paciente durante a terapia.

  • CRIOTERAPIA

A crioterapia é um processo estético inovador indicado para alguns tipos de tratamento de câncer. A técnica minimiza o risco de queda de cabelo durante o tratamento de quimioterapia por meio do resfriamento do couro cabeludo. A baixa temperatura induz a contração dos vasos sanguíneos, minimizando a queda de cabelos e aumentando a autoestima do paciente.

  • GENÉTICA

A hereditariedade não é prioritariamente a causa dos tumores, apesar de representar fator de risco em diversos tipos de câncer, como o de mama e o de próstata. As alterações genéticas que dão origem à proliferação desordenada de células malignas no organismo podem ser precipitadas pelo uso do tabaco, ingestão de álcool, sedentarismo ou má alimentação, por exemplo.

Não. O histórico familiar é apenas um fator de risco para desenvolver a doença: ter um gene de predisposição do câncer não determina o seu aparecimento.

Os testes genéticos podem auxiliar tanto na prevenção quanto no tratamento do câncer. Ao procurar alterações herdadas nos genes do indivíduo, o médico pode avaliar o risco de desenvolvimento da doença. Quando a pessoa já tem o câncer, os testes podem identificar exatamente quais são os tipos de células acometidas; facilitando a aplicação de uma terapia de maior precisão, como o uso de drogas de alvo molecular.

  • TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA

A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que preenche a cavidade dos ossos do corpo humano e é conhecida popularmente como tutano. Tem papel fundamental na produção das células sanguíneas: leucócitos (glóbulos brancos), hemácias (glóbulos vermelhos) e plaquetas. Cada uma dessas células tem papel essencial no correto funcionamento do organismo.

A medula espinhal é um tecido que ocupa a coluna vertebral e transmite os impulsos nervosos. Já a medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que preenche a cavidade dos ossos e produz as células sanguíneas.

São chamadas de células-tronco aquelas que são capazes de se transformar em qualquer outra célula do corpo. Elas têm o poder de gerar cópias idênticas a si mesmas, por meio da divisão celular contínua. Desempenham um importante papel de regeneração no organismo.

O tratamento das leucemias, muitas vezes, envolve o transplante de medula óssea. O entendimento dessa recomendação, novamente, passa pelas bases da origem da doença. Os clones malignos surgem na medula óssea e, a partir dali, se distribuem pelo organismo. Por mais que se utilizem esquemas pesados de quimioterapia de indução, de consolidação e de manutenção, ainda existe a possibilidade de remanescerem células cancerígenas. Esses clones resistentes ao tratamento, numa considerável parte dos pacientes, podem conduzir à recorrência da doença.

A solução encontrada para aumentar as taxas de cura e de controle da neoplasia consiste no transplante de medula óssea (TMO). Simplificadamente, esse procedimento envolve três fases. A primeira delas é o recrutamento da medula saudável para doação. Ela pode ser proveniente de uma seleção de células saudáveis do próprio paciente, no chamado transplante autólogo; ou se originar de um doador estranho, que preencha pré-requisitos de compatibilidade com o receptor, num processo denominado transplante alogênico. Na segunda etapa, o doente recebe doses de quimioterápicos e às vezes de radiação, capazes de destruir toda a sua medula óssea. Assim, em tese, até mesmo os representantes malignos mais resistentes são eliminados, o que minimiza fortemente as chances de uma eventual recidiva futura. Por fim, na última fase, a medula sadia que estava reservada num banco de sangue é reinfundida no paciente. As células-tronco ganham a circulação e, ao passarem pela medula óssea vazia, encontram um ambiente favorável para se instalar. A partir de então, iniciam um novo ciclo de hematopoese, que, espera-se, fornecerá ao paciente, novamente, uma medula normofuncionante, constituída apenas por linhagens celulares saudáveis.

O transplante de medula óssea é indicado como tratamento de algumas doenças que afetam as células sanguíneas, como o linfoma e a leucemia. No transplante, a medula doente é substituída por células-tronco normais, que têm o papel de recompor uma nova medula saudável.

O transplante de medula óssea é como uma transfusão de sangue comum. Em um primeiro momento, o paciente passa por um tratamento de quimioterapia, associado ou não à radioterapia, que destrói a própria medula. Depois, ele está pronto para receber a medula de um doador, rica em células “progenitoras” — células que circulam na corrente sanguínea e se alojam na medula óssea; desenvolvendo-se e reconstituindo uma nova medula.

O paciente também pode ser seu próprio doador; o que ocorre em casos em que são retiradas as células antes do tratamento e congeladas para uso futuro. Há ainda a possibilidade de receber sangue de cordão umbilical de parentes ou do Banco Público de Sangues de Cordão.

Quando não há um doador compatível na família, é preciso buscar por um doador na população em geral. Há no Brasil o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Redome. Esse cadastro reúne dados e informações das pessoas dispostas a se tornarem doadores. Trata-se de um registro informatizado, capaz de cruzar dados entre pacientes e voluntários, que são convocados quando necessário para salvar vidas.

Caso esteja pensando em se cadastrar na Rede Brasileira de Doadores Voluntários de Medula Óssea, você dever estar se perguntando: quais seriam os riscos atribuídos ao processo de doação?

Na verdade eles são mínimos e, basicamente, estão associados ao procedimento anestésico. Isto é, o risco é proporcional ao da extração de um dente, ou ao de pequenas cirurgias. A quantidade da medula óssea retirada representa cerca de 15% do volume total, o que é muito pouco. Em 7 a 14 dias esse valor é completamente restabelecido, sem prejuízos para o doador. Depois do procedimento, é comum que ocorram sintomas leves como dor, cefaleia e fraqueza transitória. Todos eles são passageiros e facilmente controlados com medicamentos convencionais. Mas e para o paciente, quais as maiores preocupações?

Pois bem, no caso de ser o receptor, a situação é um pouco mais complexa. Os riscos estão atrelados basicamente a dois momentos: em primeiro lugar, à ablação completa da medula óssea, que confere ao doente a condição de imunossuprimido grave. Nessa situação, simplesmente, não há como contar com o sistema imunológico na luta contra infecções. E essa se torna a maior preocupação. Não raramente, pacientes, por já se encontrarem internados em ambiente hospitalar, onde os germes são potencialmente mais agressivos, desenvolvem quadros de septicemias. Bactérias multirresistentes, vírus oportunistas e fungos se destacam como os principais agentes agressores e podem ser extremamente difíceis de combater somente com antibióticos, sem a participação imunológica concomitante. Se a “pega” não ocorrer de maneira satisfatória, a evolução pode tomar caminhos inesperados. Podem ser necessárias múltiplas transfusões de sangue e plaquetas, até que a medula assuma sua função completamente. Junto com isso, existem os riscos, ínfimos, mas não desprezíveis, de reações transfusionais e da contração de infecções veiculadas pelos hemoderivados.

Num segundo momento, após a recuperação da função medular, as principais complicações dizem respeito a fenômenos imunomediados. É importante lembrar que, durante toda a vida, constrói-se um banco de memórias imunológicas. Esse arquivo é apagado juntamente com a ablação medular, e novas células-tronco, virgens de contatos, assumem essa função do zero. É necessário aprender, novamente, a reconhecer o que é legítimo do organismo e diferenciar de proteínas exógenas. Assim, há risco de desenvolvimento de fenômenos autoimunes, e o novo time de linfócitos pode atacar tecidos saudáveis, que antes não eram vistos como estranhos. Essa complicação é chamada de doença do enxerto contra o hospedeiro e é relativamente comum, podendo variar de intensidade, em cada caso. A rejeição completa é rara, mas pode acontecer e é uma complicação gravíssima.

Diante do exposto, é fundamental estar cercado por profissionais especializados e habituados a lidar com o procedimento e suas derivações. Isso proporciona segurança, dá o conforto necessário para seguir o tratamento e garante que os melhores resultados sejam alcançados nessa luta.

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